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COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

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"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

02 Out, 2021

As bufas

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No tempo da outra senhora, sempre disse o que me apeteceu e nunca fui perseguido pela PIDE e agora, se disser o que penso, sou perseguido". Já, por diversas vezes, ouvi este argumento com que se pretende demonstrar que hoje existe menos liberdade de expressão do que antes do 25 de Abril. E, de certa forma, o argumento tem fundamento, uma vez que Salazar nunca perseguiu aqueles cujas opiniões eram politicamente correctas para o regime.

Com efeito, o que distingue uma ditadura de uma democracia liberal é precisamente o direito de cada um de nós poder expressar ideias e opiniões politicamente incorrectas e que, inclusive, colidem com os valores em que se funda o próprio regime.

Como dizia Karl Popper, “ninguém sabe o suficiente para ser intolerante.” Daí que o centro das sociedades abertas resida, precisamente, na possibilidade de discordarmos e podermos livremente expressar a nossa opinião, única forma de podermos aprender e evoluir. O que significa, como escreveu Karl Popper, que “a liberdade de expressão deve ter primazia sobre o nosso desejo de não ofender”, uma vez que, “quando evitar ofensas constitui a nossa principal preocupação, rapidamente se torna impossível dizermos livremente seja o que for.

E foi precisamente graças ao direito à liberdade de expressão que as sociedades ocidentais evoluíram, não só cimentando os direitos das minorias como também acolhendo novas ideias, novos valores e novos movimentos que alteraram profundamente a nossa organização social, familiar, profissional e institucional.

Acontece que aqueles, que ainda há não muito tempo se agarravam ao direito à liberdade de expressão para expressarem as suas opiniões polémicas e provocatórias que chocavam a moral vigente, a partir do momento em que passaram a controlar o espaço público, instituíram uma nova censura, em nome da Nova Verdade de que eles se arrogam detentores.

O Facebook tornou-se hoje num verdadeiro instrumento de domesticação do homem comum, onde a livre opinião é escrutinada e censurada, caso não caiba no espartilho dos dogmas da elite dominante. E a nossa democracia não só reciclou a mordaça herdada do tempo do fascismo como passou agora a contar, por força da igualdade do género, com uma legião de bufas sempre dispostas a denunciar alguém que tenha a ousadia de usar uma expressão ou uma palavra proibida. Até a mentira foi nacionalizada, passando a ser monopólio exclusivo dos governantes e dos políticos encartados pelo regime.

Quanto às bufas, verdade se diga, não diferem em nada dos bufos do antigamente, apenas têm um cheiro mais acentuado pelo facto de vivermos em democracia. Pessoalmente detesto bufos e bufas. E, entre uns e outras, sempre prefiro, sem qualquer sombra de dúvida, o peido altivo e sonoro com que Salvador Sobral prometeu brindar a turba e que tanto indignou as redes sociais.

Na altura, também me indignei, porque não gosto de gente que promete e não cumpre. Mas hoje compreendo perfeitamente por que razão Salvador Sobral se encolheu e, no último momento, decidiu fechar as comportas. É que um país de bufas não vale um peido...

Santana-Maia Leonardo - O Mirante de 17-9-2021

 

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A saída de Messi do Barça teve, pelo menos, o mérito de expor à evidência as fragilidades de uma equipa onde falta tudo, a começar pelo treinador.

Não tem defesa, nem ataque. Falta-lhe intensidade, contundência, golo e jogadores com um mínimo de qualidade para formar uma boa equipa.

Na defesa, salvam-se Araújo e Mingueza. No meio-campo Gavi, Di Jong, Pedri e Nico. No ataque, Ansu Fati. E mesmo estes 7 jogadores são demasiado jovens para se lhes exigir que carreguem sozinhos o peso de uma camisola como a do Barça.

Esta época e a próxima não vão ser fáceis, porque dificilmente um grande treinador aceitará a responsabilidade de treinar um clube com o peso histórico do Barça e com tantas limitações e fragilidades. Para já não falar numa massa salarial ao nível das melhores equipas da Europa e que não tem correspondência com a qualidade dos jogadores.

Mas, dentro de dois anos, voltaremos ao topo. Como a Fénix, o Barça vai renascer das cinzas, para desgosto da gente mesquinha, invejosa e pequenina. Só desejo que essa tenha uma longa vida para que sofra a ver a ascensão e o sucesso do Barça.

Santana-Maia Leonardo

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