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A Lei Bosman, o novo formato da Liga dos Campeões, as Sociedade Anónimas Desportivas e os direitos televisivos transformaram o futebol numa das maiores indústrias do século XXI, o que significa que deixou de ser possível ser um grande clube sem pertencer a uma das cinco maiores ligas europeias. O mercado português é manifestamente pobre, pequeno e exíguo para alimentar uma média empresa, quanto mais um grande clube.
Neste momento, Benfica, Sporting e Porto só teriam hipóteses de rivalizar com os grandes clubes europeus, quer em contratação de bons jogadores, quer na capacidade de atrair investimento, quer na sua expansão a nível internacional, se jogassem numa grande Liga, designadamente, numa Liga Ibérica.
A alternativa é abdicarem de serem grandes clubes europeus para passarem a ser aquilo que são hoje: simples entrepostos de vendas de jogadores. Aliás, basta ouvir os dirigentes e os comentadores portugueses a apelidar de “montra” as competições europeias para ficarmos esclarecidos. Ou seja, para os clubes portugueses, as competições europeias são a montra onde os nossos clubes vão expor a mercadoria que têm para vender.
E Enzo, quando aterrou em Portugal, limitou-se a dizer o óbvio: vinha jogar no Benfica para dar o salto para um grande clube europeu. O seu clube do coração é o River Plate, o Benfica era apenas um trampolim. Como foi.
Santana-Maia Leonardo - A Ponte de 13/2/2023


Invocar o amor à camisola dos tempos do Eusébio para criticar a saída de Enzo é, no mínimo, revelador de uma enorme estupidez. E não é preciso puxar muito pela cabeça para chegar a esta conclusão.
Se Enzo vivesse no tempo do Benfica de Eusébio, tinha continuado a jogar no River Plate, quer porque não era permitida a compra por atacado de jogadores estrangeiros (no Benfica só podiam jogar jogadores portugueses), quer porque o futebol sul-americano era, na época, superior ao europeu.
Sem esquecer que Eusébio não fez a sua carreira no Benfica, por amor à camisola, mas porque Salazar não permitiu, como o próprio Eusébio reconhece na sua entrevista ao Expresso de 12/11/2011: “Houve a Juventus e depois o Inter de Milão. Mas o 'padrinho', alcunha que eu pus a Salazar, não deixou.” Sendo certo que a transferência para o Inter também não se poderia ter realizado por outra razão: a Federação Italiana proibiu, nessa época, a inscrição de jogadores estrangeiros.
O futebol do tempo de Eusébio, em que praticamente não eram permitidos jogadores estrangeiros em todas as ligas europeias, não tem nada a ver com o futebol do século XXI. O futebol, hoje, tornou-se numa indústria global, que não se confunde com o futebol dos tempos em que se andava de carroça e dos relatos radiofónicos.
A Lei Bosman, o novo formato da Liga dos Campeões, as Sociedade Anónimas Desportivas e os direitos televisivos transformaram o futebol numa das maiores indústrias do século XXI, o que significa que deixou de ser possível ser um grande clube sem pertencer a uma das cinco maiores ligas europeias. O mercado português é manifestamente pobre, pequeno e exíguo para alimentar uma média empresa, quanto mais um grande clube.
Neste momento, Benfica, Sporting e Porto só teriam hipóteses de rivalizar com os grandes clubes europeus, quer em contratação de bons jogadores, quer na capacidade de atrair investimento, quer na sua expansão a nível internacional, se jogassem numa grande Liga, designadamente, numa Liga Ibérica.
A alternativa é abdicarem de serem grandes clubes europeus para passarem a ser aquilo que são hoje: simples entrepostos de vendas de jogadores. Aliás, basta ouvir os dirigentes e os comentadores portugueses a apelidar de “montra” as competições europeias para ficarmos esclarecidos. Ou seja, para os clubes portugueses, as competições europeias são a montra onde os nossos clubes vão expor a mercadoria que têm para vender.
E Enzo, quando aterrou em Portugal, limitou-se a dizer o óbvio: vinha jogar no Benfica para dar o salto para um grande clube europeu. O seu clube do coração é o River Plate, o Benfica era apenas um trampolim. Como foi.
Santana-Maia Leonardo - O Mirante de 10/2/2023

O PSD é tão parecido com o PS que até a forma como invoca o superior interesse nacional, sem um pingo de vergonha, antes de se lançar no saque e na pilhagem dos bolsos exauridos dos contribuintes portugueses é absolutamente idêntica. O palco do Santo Padre que o diga. Ou melhor, os palcos.
No entanto, era importante alguém esclarecer Santos Silva, presidente da Assembleia da República que não é defendendo a normalização da corrupção e dos políticos corruptos, como ele teve o descaramento de fazer recentemente, que se combate a extrema-direita.
Pelo contrário, esse é o caminho que conduz inevitavelmente ao triunfo dos extremismos. O Brasil, “esse imenso Portugal”, que o diga…
Santana-Maia Leonardo - A Ponte de 6/2/2023
