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COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

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No próximo dia 5 de Junho (segunda-feira), pelas 18H, irei apresentar o meu último livro “Crónicas dos Bons Amigos” no Auditório da Escola Secundária Solano de Abreu, em Abrantes. A capa, contra-capa e badanas são pinturas da minha mãe Maria Laura Santana Maia, a primeira juíza conselheira do Supremo Tribunal de Justiça e antiga aluna do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Abrantes.

Este livro é, aliás, uma despedida. Como disse Chateaubriand, " É muito duro envelhecer, mesmo se o mundo à nossa volta não muda ou muda pouco, mas muito mais duro é envelhecer num mundo que mudou. "

A era digital onde vivemos não tem nada a ver com o mundo do lápis e papel onde nasci e cresci. O mundo que nos rodeia é hoje habitado por indivíduos que se consideram os consumidores finais da civilização ocidental e onde se diluem toda as relações humanas, familiares e afectivas. Tudo é efémero e nada é inteiro.

Cada vez a frase de Freud “A devoção de um cão ao dono é o único amor incondicional ” é mais actual e faz mais sentido. Os cães e os gatos revelam-se, cada vez mais, como os únicos amigos que continuam a resistir em deixar ao abandono quem os criou e alimentou.

Este livro é certamente uma homenagem a todos aqueles que, como eu, gostam e estão reconhecidos aos seus bons amigos de quatro patas. No entanto, foi escrito a pensar, sobretudo, naqueles que desdenham da atenção que nós damos aos cães e aos gatos para lhes recordar que, mais cedo do que eles pensam, vão ficar reduzidos à mais absoluta solidão, se não tiverem um cão ou um gato que lhes faça companhia, que lhes dê carinho e que os ouça.

E não contem, para isso, nem com os filhos, nem com os netos, que estarão certamente a viver bem longe e que têm coisas mais importantes com que se preocupar do que com velhos chatos e doentes que seriam um enorme peso na sua vida.

Gostaria, como é evidente, de poder contar com a presença de todos aqueles que, ao longo da minha vida, se foram cruzando comigo, desde os bancos do Colégio La Salle, passando pela Câmara Municipal de Abrantes e pelas autárquicas de 2009, sem esquecer a célebre tertúlia de São Miguel do Rio Torto em que Mário Silva era o anfitrião e Fernando Passeca o mordomo de serviço, as mesas de café, os jogos de voleibol dos célebres torneios de Abrantes e da equipa da EICA, treinada por Rui Cabral, que disputou a II Fase do Campeonato Nacional de Voleibol na época de 1984/85.

O sucesso da apresentação de um livro depende sempre do grau de envolvimento dos nossos amigos e conhecidos. Ou seja, do número de pessoas que está presente e que compra o livro. Devo, desde já dizer, que não vou ganhar um único cêntimo com o livro, não vá, alguém que não me conheça, pensar que vou querer enriquecer à conta do livro. Até hoje nunca ganhei um único cêntimo em todas as actividades que levei a cabo por devoção, fosse na política, no desporto ou na escrita. O que faço por amor não tem preço.

Tenho a certeza de que os mais velhos que lerem o livro se vão reconhecer em muito dos textos que escrevi, mas também tenho a certeza de que a geração dos meus netos se vai emocionar com esse amor incondicional que liga os cães e os gatos aos donos.

Gostaria de poder contar com a vossa presença, mas se não puderem estar presentes, não se esqueçam de comprar e divulgar o livro junto dos vossos amigos e conhecidos e, se possível, directamente à editora (e-mail rosmaninhoeditoradearte@gmail.com ou telefone: 243305080), porque também tem direito a ser recompensada por ter tido a coragem de editar um livro dum autor que reside no fim do mundo.

Santana-Maia Leonardo - O Mirante de 26/5/2023

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Arthur Schopenhauer, filósofo alemão do séc. XIX, disse um dia aquilo que considero ser das melhores definições do caráter humano: «A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de carácter, e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem».

E este livro é algo que nos fala de amor, o amor por todas as criaturas de quatro patas. «Crónicas dos Bons Amigos» é isso, mas não só.

Estamos aqui para celebrar o Dia do Autor Português, apresentando um livro e quando se fala de um livro, é nele que nos devemos centrar. Ao ser convidado pela minha colega e amiga Paula Reis, a apresentar o livro «Crónicas dos Bons Amigos», de Santana Maia Leonardo, não poderia dar outra resposta senão aceitar. São várias razões que aqui se cruzam: o António, o amor pelos animais, a minha terra, as nossas famílias…

E seria um pouco vago se falasse só do assunto em questão (apresentação das «Crónicas») e não falasse um pouco no autor. Conheço o António há… Bem, ia dizer desde o século passado, mas pensando bem, acho que o conheço desde sempre. Fomos vizinhos no famoso bairro do Largo da Igreja, que na juventude tornávamos no nosso Camp Nou. Grandes futeboladas aí fazíamos! Muitas vezes com corridas suplementares, proporcionadas pelo corpo da GNR, pois as bolas a baterem nas paredes da igreja não eram nada agradáveis e a Guarda e o Padre Frederico, guardião eterno do largo da igreja, não nos davam descanso...

Não gostava particularmente de jogar contra o António, pois foi sempre dotado daquela altura e aquelas pernas não davam chance a ninguém. E eu também não tinha sido bafejado por dotes da bola…

Crescemos (eu mais que ele, pois sempre foi alto) e seguimos o nosso caminho, cada um o seu. Eu para Lisboa, ele para Coimbra. E quis o destino que a nossa vertente castrense nos colocasse, a ambos, a «bater com os costados» na recruta, em Mafra, na Entrada para o Inferno, que era como chamávamos à Escola Prática de Infantaria.

Ir para Mafra era um castigo. Felizmente, ambos tínhamos carro: eu um Talbot Horizon, ele uma vetusta Renault 4L. E fazíamos à vez: numa semana levava eu e na seguinte levava ele. O António gostava de Fado, o que não era propriamente a minha praia… E tinha aquela cassete com fados do Alfredo Marceneiro, especialista nos «fados da desgraçadinha», da «triste viuvinha», que tocava de fio a pavio…várias vezes. Todas as viagens! Como a viagem durava mais de duas horas, já podem ver a tortura que era a cada quinze dias!

Fomos professores, cada qual no seu lado, fui colega da esposa, a minha querida amiga Graça Leonardo, por mais de 40 anos, fui professor dos filhos, netos…

O ensino não preenchia completamente o António, pelo que resolveu abraçar a causa da advocacia. Porque António Santana Maia Leonardo sempre foi pessoa de causas: as pessoas, o clube da sua terra, a autarquia, o jornalismo, a defesa do que é certo… E os animais, de onde nos aparece este livro.

Esta obra é um conjunto de crónicas, através da espuma dos dias, bem documentadas, com onze animais que passaram pela sua vida. Davam para uma equipa de futebol…

O amor pelos animais é uma das expressões mais genuínas de afeto que podemos experimentar. E eles retribuem-nos.

Em particular, o amor pelos cães e gatos é algo que muitas pessoas sentem profundamente. Esses animais são companheiros fiéis, amigos leais e fontes inesgotáveis de carinho e alegria. Aí descobriu o António, nas suas crónicas, os cães e, em menor número, os gatos. Fora outros que, entretanto, foram cruzando o seu caminho. Como dizia Machado de Assis, «Felizes os cães, que pelo faro dão com os amigos!» E o António sempre viu reconhecido esse afeto.

Os cães são animais extremamente inteligentes, sociais e emocionais, e isso torna-os companheiros ideais para os humanos. Eles são capazes de ler as nossas emoções e de nos proporcionar conforto e alegria quando estamos tristes ou ansiosos. Além disso, são animais extremamente leais, que nos amam incondicionalmente, mesmo quando não merecemos. Os cães são os únicos animais que conseguem beijar a mão que lhes bate!

Já os gatos são animais fascinantes, independentes e carinhosos ao mesmo tempo. Eles têm uma personalidade única, e muitas vezes são vistos como animais solitários e independentes, mas isso não significa que eles não sejam amorosos e afetuosos com quem cuida deles. De facto, os gatos podem ser tão leais e carinhosos quanto os cães, e muitas pessoas encontram nesses animais uma fonte de amor e conforto.

O amor pelos cães e gatos é uma expressão de empatia e compaixão pelos seres vivos que compartilham connosco este mundo. Cuidar desses animais, dar-lhes carinho e atenção, é uma forma de demonstrar a nossa gratidão e apreço por sua presença nas nossas vidas. Além disso, o amor pelos animais pode ensinar-nos muito sobre o valor da lealdade, do cuidado e da amizade, valores que são essenciais para a nossa própria felicidade e bem-estar.

Em resumo, o amor pelos cães e gatos é uma expressão de amor pelos animais em geral, e de reconhecimento da importância que eles têm nas nossas vidas. Aí vemos a «bondade de caráter» de que Schopenhauer nos falava. Esses animais ensinam-nos muito sobre a bondade, a lealdade e a amizade, e são fontes inesgotáveis de amor e carinho. Portanto, devemos sempre cuidar deles da melhor forma possível, para que possam continuar a proporcionar-nos momentos de felicidade e alegria.

Muitas pessoas amam cães, já que são animais de estimação populares em todo o mundo. Alguns dos aqui presentes são possuidores, cuidadores e amantes de cães, dedicando-se a cuidar e protegê-los. Essas pessoas podem ser donos, treinadores, voluntários em abrigos de animais, profissionais de resgate de animais ou simplesmente pessoas que amam cães e desejam promover o bem-estar deles. Ou então, ser como o António!

Como dono de um podengo de pelo cerdoso, de 15 anos, este livro apanhou-me de chofre, pois as várias «crónicas» relatam a vida e morte de muitos dos Amigos do António. No meu caso e estando já com 15 anos, significa que o meu Zico se encontra na fase descendente da sua vida. Já é um animal geriátrico, como os especialistas lhe chamam. E sei que a minha angústia será a que o António já teve… por várias vezes. Mas é a lei da vida.

As «Crónicas dos Meus Amigos» saem da pena de alguém que ama os animais. Verdadeiramente. São algo feito com Amor e Carinho, por aqueles seres magníficos, que tanta alegria, companhia, amor incondicional nos trazem. E volto a frisar: amor incondicional, pois os cães não reconhecem a maldade. Dá amor a um cão e terás um amigo para a vida! Como dizia Mark Twain, «Recolhe um cão de rua, dá-lhe de comer e ele não te morderá: eis a diferença fundamental entre o cão e o Homem.»

Através destas crónicas, temos a história dos animais, cães e gatos, que passaram pela vida de António Santana Maia. As várias crónicas lêem-se muito bem e cada qual, dedicada a um amigo em particular, vem bem documentada, com as datas de nascimento e morte, como se de uma verdadeira pessoa se tratasse. Porque lá nos ensina, logo na capa, que os animais são pessoas e têm pessoas lá dentro!

É impossível não nos emocionarmos com os vários episódios retratados: a liberdade do Calvin, a imponência do Claine, que me recordo bem ter deixado a dona muito tempo de braço entrapado, a sociabilidade do Simba, a Lolita, que não se deu bem com a caça, o Zizou, que numa pata aleijada teve a sorte de encontrar uma família, o Petit, a Íris, raptada e recuperada no meio de algumas peripécias, o Sebastião, a Filipa, que inaugurou o ramo da família felina, o Gaspar, a Kikas, a Vitória, o Tintin, que adorava perseguir gatos, o Bolt, a Messi, o Paquito, perdido de amores pela Vitória, o Leo…

Em resumo, um livro que garante horas de prazer a quem o folheia. E lê. Para se olhar com olhos de apreciador, visto que está brilhantemente ilustrado pela mãe do autor, a Dra Maria Laura Santana Maia, ou Dra Milau, como a minha mãe carinhosamente se lhe referia e como sempre a conheci. Desenhos de uma beleza imensa, que estiveram expostos no CAC aquando do lançamento do livro. Provavelmente a merecer uma exposição?

Termino e não me quero alongar mais. Celebremos o Autor Português. Celebremos Santana Maia Leonardo, com as suas crónicas dos seus amigos. E como dizia alguém, «Home is where the dog is», ou na nossa língua, «Lar é onde está um cão».

*Texto do professor RAFAEL MARTINS lido no dia 22 de Maio na Ponte de Sor na apresentação do Livro Crónica dos Bons Amigos de Santana Maia Leonardo

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A Holanda tem o tamanho do Alentejo e mais de 17 milhões de habitantes. Ou seja, tem menos de metade do território português e quase o dobro da população. E, se contarmos apenas a população activa, tem mais do dobro.

Imaginemos agora que a Holanda, uma das economias mais poderosas da UE e uma das dez maiores nações exportadoras, tinha o azar de ser governada por portugueses.

Para os portugueses e para os seus governantes, um país pequeno como a Holanda não tem interior pelo que concentrariam em Amesterdão todos os ministérios, secretarias de Estado, direcções-gerais, grandes hospitais, assim como a sede dos Supremos Tribunais, dos bancos, da comunicação social, de todos os ramos das Forças Armadas e de todas as instituições.

Consequentemente, a Holanda, em vez de ter todo o território ocupado por 18 cidades médias que oferecem aos seus cidadãos trabalho qualificado, serviços de saúde e de ensino de qualidade, uma rede de transportes públicos excelente, veria o país ficar reduzido a Amesterdão onde as pessoas se amontavam à procura de trabalho e de casa, sendo obrigadas a emigrar para sobreviver, enquanto o resto do território ficava ao abandono, desabitado e desertificado.

Resumindo: se a Holanda tivesse tido o azar de ser governada por portugueses, pertenceria hoje orgulhosamente ao clube da mão estendida, com uma economia totalmente dependente do turismo, uma população pobre, envelhecida e em vias de extinção.

Santana-Maia Leonardo - A Ponte de 22/5/2023