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COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

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"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

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Não deixa de ser curioso que sejam os políticos e os seus mandantes aqueles que mais se indignem e se queixem com as leis que fazem quando as mesmas são aplicadas a si próprios. Infelizmente, o cidadão comum todos os dias é perseguido por leis iníquas feitas pelos nossos políticos sem que ninguém se comova.

Ninguém está acima da lei. A lei é igual para todos. Vivemos num Estado de Direito. Mas basta a lei cair no prato de um político para tudo mudar de figura. Ninguém quer provar as leis que cozinhou. As leis são boas para serem servidas ao cidadão comum, não para repasto do cozinheiro. Quando o cozinheiro tem de provar as leis que ele próprio fez, todos aqueles que enchem a boca de que vivemos num Estado de Direito clamam em uníssono que é urgente alterar as leis da prisão preventiva, do inquérito, do segredo de justiça e sabe-se lá mais do quê. 

Até hoje não vi ainda nenhum jornalista, político ou comentador preocupar-se com a presunção de inocência, a duração da prisão preventiva ou o segredo de justiça, nos processos do Palito, do Zé da Esquina e do Zarolho. Ou será que estes não fazem parte daqueles “todos” para quem a lei devia ser igual?

Além disso, os nossos políticos ainda têm uma enorme vantagem sobre o cidadão comum: é que são eles que fazem as leis que punem os crimes que praticam. É, por essa razão, que o crime de corrupção é praticamente impossível de provar, a não ser por confissão. E é precisamente para garantir o pacto de silêncio dos corruptos que a lei portuguesa é extremamente penalizadora para quem confessa. Os políticos não brincam em serviço…

Compreendo, pois, que cause estranheza no meio que um político seja preso preventivamente indiciado pelo crime de corrupção. Corrupção?!... Mas isso é impossível de provar!...

A lei portuguesa sobre a corrupção é extremamente fácil de compreender através de uma anedota alentejana. O marido estava convencido de que a mulher o andava a enganar com outro homem. Pediu, então, a um amigo para seguir a mulher. O amigo assim fez e veio contar-lhe o que viu. A mulher, acompanhado por um homem, entrou num quarto de um motel. Ele espreitou pelo buraco da fechadura e viu que se despiram e se meteram na cama. A partir daqui já não conseguiu ver mais nada porque eles apagaram a luz. Perguntou-lhe o marido ansioso: “Mas não os viste fazer amor?”. “Não, não vi, eles apagaram a luz”. “Bolas”, clama o marido, “a eterna dúvida.

A lei portuguesa também exige o mesmo grau de certeza no crime de corrupção. Daí que toda a gente tenha a certeza onde a justiça, por força da lei, é obrigada a ter eternas dúvidas. 

Santana-Maia Leonardo - O Mirante de 5/5/2023

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Juntamente com o pacote “Mais Habitação”, António Costa apresentou um mapa que é absolutamente esclarecedor: nas regiões de Lisboa e Porto, há casas em falta e excesso de pessoas e, no resto do território, há excesso de casas e falta de pessoas, o que significa que a população está mal distribuída pelo território nacional. Consequentemente, a única solução tem de passar obrigatoriamente por obrigar a deslocalizar uma parte substancial da população que se amontoa nas regiões de Lisboa e Porto.

Acontece que Portugal teve o azar de ter sido governado, desde o 25 de Abril, por sucessivos Governos cujos governantes beberam, até à última gota, a cultura salazarista do Portugal Glorioso da Lisboa Imperial, em vez de olharem para o modelo de sucesso holandês das cidades médias.

E actualmente, só já há uma solução para resolver este problema estrutural que é a causa de todos os nossos males. Ou seja, a deslocalização da sede do Governo, dos ministérios, das secretarias de Estado e das Direcções-Gerais para o interior do território nacional.

Só uma reforma desta dimensão tem hoje capacidade para gerar um efeito bola de neve, porque arrastava consigo gente activa e qualificada em número suficiente para atrair investimento, empresas, hospitais, serviços públicos, etc. e, por acréscimo, promover o crescimento económico e dar utilidade ao aeroporto de Beja.

Santana-Maia Leonardo - A Ponte de 1/5/2023

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