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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Júlia Ramira R. da Silva Ruivo - in Diário de Notícias de 21/10/10

  

Depois de passar o Parque Urbano da Cidade de Abrantes, na Direcção de S. Jerónimo, numa Estrada à esquerda sem saída, mas ainda dentro do perímetro da Cidade, encontram-se 2 quintas, uma bem visível e outra mais isolada, composta por 3 casas e barracões, que se encontram para venda, com um letreiro de uma Agência imobiliária.

 

Duas das casas são propriedade de uma senhora de 99 anos, sem filhos, residente em Lar. A outra pertence a seu irmão de 89 anos, residente noutro Lar, e de sua mulher de 86, que vive em Lisboa, com a mais velha das duas filhas do casal. Esta é a responsável em ambos os Lares pelos idosos e tem a seu cargo a mãe. Também possui uma Procuração, com poderes especiais para venda e tudo o que se relacione com as propriedades e as referidas casas. As 2 filhas residem em Lisboa e deslocam-se a Abrantes regularmente, a fim de visitarem os idosos e as habitações.

 

Desde que as casas ficaram desabitadas, que têm sido alvo de sucessivos assaltos. O primeiro assalto ocorreu, pelo tecto das mesmas, limitando-se os assaltantes a revistar cómodas e gavetas, procurando valores que não existiam. Num segundo e terceiro momento, desmontaram esquentadores e levaram alguns outros electrodomésticos.

 

Perante isso, os proprietários retiraram o recheio das habitações, deixando-as vazias.

 

Na sexta-feira, dia 15 de Outubro, um amigo da família verificou que duas das casas tinham sido novamente assaltadas, e os larápios, desta vez, tinham desmontado e levado integralmente, 12 janelas de alumínio e vidro duplo de abrir, e forçado as portas, igualmente de alumínio, num prejuízo que rondará os 5.000.00 euros.

 

De imediato, telefonou à mais velha das filhas, que de Lisboa, solicitou a um familiar que se deslocasse à PSP e levasse um agente ao local. Assim aconteceu, entre as 19h e as 20h de dia 15 de Outubro. O mesmo agente informou, que no dia seguinte, sábado, as filhas deveriam apresentar queixa na Esquadra e um cálculo dos prejuízos.

 

No sábado dia 16 de Outubro, o proprietário de uma das casas fazia 89 anos. As filhas receando que a mãe de 86, pudesse ser vítima de ataque cardíaco, ao ver o fruto do seu trabalho e da sua vida destruído, decidiram não a informar do sucedido e levaram-na para junto do seu marido. De seguida, por volta das 12 horas, dirigiram-se à Esquadra da PSP de Abrantes, a fim de formalizarem a queixa.

 

O agente que as recebeu não tinha conhecimento do que se tinha passado. No Livro de Ocorrências, na noite anterior não constava a saída do 1º agente. Apareceu outro agente seguido dum outro, que presumiram tratar-se do Chefe da Esquadra. Este procurou saber se as presentes eram as proprietárias. Quando lhes foi dito, que os proprietários eram os pais e a tia, disse, que, tratando-se de um crime semi-público, só os proprietários poderiam apresentar Queixa. Foi-lhe explicado que tinham 99, 89 e 86 anos. Que dois deles residiam em Lares, e que mesmo que lá fossem, não estavam em condições físicas e psíquicas de prestar declarações. E que, não queriam informar a mãe de 86 anos, porque morreria, certamente! Foi ainda explicado, que uma das filhas tinha uma Procuração com poderes especiais para venda e tudo o que se relacionasse com as ditas habitações.

 

Que não, a Procuração não servia, tinha de ser uma declaração específica para apresentação de queixa-crime, porque a Lei assim determinava. E que tinham 6 meses para o poder fazer.

 

Embora a Procuração que atribui poderes para venda dos Artºs não especifique casos de Crime ou roubo, consultada posteriormente a Notária, esta pensa não ser lógico, que se possa vender, registar, e dispor sobre um bem, e não se possa apresentar uma queixa-crime do mesmo bem.

 

O Sr. Chefe da PSP, não procurou sequer saber o que tinha acontecido em concreto, nem quando, nem onde.

 

O que ocorre na Cidade, não deve interessar à PSP, a menos que a queixa seja apresentada de acordo com a Lei.

 

Como é possível que aconteça uma coisa destas? Que País é este, com uma Polícia desumanizada, que trata os Cidadãos como inimigos, não defende nem compreende a situação particular em que se encontram os idosos, preferindo ignorar as queixas, mesmos tratando-se de um crime semi-público, premiando assim, os Ladrões, que podem continuar a roubar livremente?

 

Chamo-me Júlia Ruivo, sou a mais velha das filhas e posso provar tudo o que afirmo.