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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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ACTAS DAS REUNIÕES DA CÂMARA 

Declaração dos vereadores do PSD

 

Já não é a primeira vez que os vereadores eleitos pelo PSD são confrontados com o facto de a maioria dos vereadores lhes querer impor a aprovação de actas que contêm trechos que lhe são atribuídos mas que não reproduzem o que disseram e defenderam, razão por que requereram que as reuniões passassem a ser gravadas.

 

Acontece que, na última reunião, apesar da gravação, verificou-se que a senhora presidente quis forçar novamente a que fosse atribuído a um dos vereadores do PSD aquilo que ele não disse e que, se tivesse dito, só poderia ter-se tratado, obviamente, de um lapso.

 

E apesar de os vereadores do PSD, titulares do direito ao seu pensamento e a que a acta o reproduza com rigor, terem afirmado que aquele trecho não reproduzia o que tinha sido dito, foi passada, por diversas vezes, a gravação de onde se conclui, claramente, que a acta não só não transcreve nessa parte o que foi dito pelo vereador como faz uma selecção de palavras descontextualizadas para conseguir esse efeito.

 

Sendo certo que essa discussão era absolutamente irrelevante, uma vez que as actas servem para reproduzir o que de relevante se passou na reunião e não para a maioria, valendo-se desse qualidade, impor a um dos participantes frases e declarações que ele próprio considera violar o seu pensamento.

 

Em toda e qualquer reunião (e não nos referimos apenas a reuniões camarárias), a acta só é aprovada depois de lida e de todos os participantes terem a oportunidade de corrigir as suas intervenções para que a acta possa reproduzir com rigor aquilo que disseram e não aquilo que os outros ou quem a secretaria percebeu que eles disseram.

 

E compreende-se que assim seja, tendo em conta a reconhecida dificuldade da transcrição do discurso oral para o discurso escrito, sobretudo quando é efectuada por terceiro e por razões óbvias:

 

            1º)       a simples transcrição textual do discurso oral para o discurso escrito leva à perda de 60% da informação;

 

            2º)       no processo de comunicação, dificilmente existe sintonia absoluta entre emissor e destinatário, ou seja, sempre que um sujeito produz uma declaração, esta só muito raramente é entendida pelo destinatário com o mesmo sentido com que foi proferida pelo emissor, o que se compreende perfeitamente pelo facto de emissor e destinatário serem duas realidades culturais distintas e com experiências diferentes.

 

Assim sendo, e uma vez que não estão disponíveis para que as suas declarações sejam adulteradas pelo voto da maioria, ficando a constar das actas frases e expressões que não reproduzem o seu pensamento, os vereadores passam a apresentar por escrito ou a ditar para acta todas as suas intervenções.