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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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13 Jan, 2009

AO QUE CHEGÁMOS

por António Belém Coelho

 
Há muitos anos atrás, entre muitos e inúmeros livros que hoje compõem a minha biblioteca, como certamente a de muitos contemporâneos meus, contava-se e conta-se o “Livro Vermelho” de Mao Tse Tung, rebaptizado Mao Ze Dong. Na altura, achei que a forma de o divulgar lá na sua terra, em alti-falantes em tudo quanto era sítio (quartéis, comunas agrícolas, industriais ou de qualquer outra espécie), não seria a melhor maneira de o tornar importante, isto independentemente da crítica das suas ideias. Que são muitas (as críticas)!
 
Mas nunca esperei ver um sucedâneo ter lugar no meu País. Mas pelos vistos ele aí está! Para um concurso interno a nível do IEFP, entre os textos de leitura aconselhada (obrigatória), conta-se um do nosso Primeiro-Ministro, relativo às Novas Oportunidades, incluindo um capítulo inteiro de prosa meramente política.
 
Sim senhor! Ao que chegámos! Um dia destes, os médicos, ou outros profissionais de saúde, desde administrativos a enfermeiros, para qualquer uma prova, terão que ler entre outros, “O sistema de Saúde Pública” por Ana Jorge. Os Professores, no seu relatório de avaliação para progressão de carreira, terão porventura que dissertar sobre a obra “A Avaliação de Docentes”, segundo Maria de Lurdes Rodrigues (prefácio de Valter Lemos e Jorge Pedreira). Qualquer agricultor que queira efectuar uma candidatura a fundos comunitários da especialidade terá se informar e dissertar sobre a “Arte de diferir subsídios”. E por aí adiante.
 
Poder-se-á pois formar e editar um livrinho cor-de-rosa com tantos e brilhantes contributos, que se tornará (administrativamente, claro) um verdadeiro best seller para todos os funcionários que obedientemente queiram singrar na carreira. E pensar eu que criticava aqueles que diziam que Orwell, com a sua obra de ficção “Big Brother”, estava próximo de nós! Mas pelos vistos e como sempre, a realidade teima por vezes em ultrapassar a ficção. E por cá estamos no bom caminho para isso!
 
No Governo, o Primeiro Ministro já tem um clone. Só falta multiplicá-los entre os cidadãos eleitores. Lá chegaremos!

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