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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

A criminalidade na cidade de Abrantes atingiu um tal estatuto de impunidade que os delinquentes tomaram literalmente conta da cidade, espalhando o terror por onde passam com a plena certeza de que os poucos que ousarem queixar-se às autoridades não só acabarão por desistir da queixa como se arrependerão para o resto da vida de o ter feito.

  

Mas se a passividade cúmplice das autoridades é, sem qualquer sombra de dúvida, a principal causa da implantação do reino de terror na cidade pelas bem conhecidas comunidades de delinquentes, não é, no entanto, a única causa.

  

Com efeito, os cidadãos de Abrantes também não se podem eximir das suas responsabilidades pelo facto de, durante anos, por medo, cobardia e falta de solidariedade, fecharem os olhos ao que se vai passando à sua volta, provavelmente na esperança de que os delinquentes não lhes batam à porta.

  

A este propósito não me posso esquecer daquela garota violada na Avenida da Igreja, em Lisboa, às 22H, que se fartou de gritar por socorro sem que ninguém a socorresse. Aqueles que, por ali passaram e ouviram os gritos, deviam ter pensado que um dia podia suceder o mesmo a uma das suas filhas... e certamente não gostariam que quem ouvisse os gritos agisse com a mesma cobardia com que eles agiram.

  

De certeza absoluta que a violação não teria sido consumada se por ali tivesse passado, naquela hora, a senhora idosa vestida de vermelho que recentemente vimos na televisão evitar um assalto a uma loja de Londres, enfrentando sozinha seis assaltantes munidos de marretas. 

 

A segurança e a qualidade de vida nas cidades também depende muito da qualidade dos seus cidadãos, da sua coragem, da sua solidariedade e da sua verticalidade.

 

A este propósito recordo mais uma vez o poema de Martin Niemöller que toda a gente da cidade de Abrantes devia ser obrigada a saber de cor: «Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu./Como não sou judeu, não me incomodei./ No dia seguinte vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista./ Como não sou comunista, não me incomodei./ No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico./ Como não sou católico, não me incomodei./ No quarto dia, vieram e me levaram;/ já não havia mais ninguém para reclamar.»

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