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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

 

Para quem acredita na democracia representativa, como eu, não pode deixar de ficar preocupado com o adiantado estado de degradação dos partidos políticos, tendo em conta que são as traves mestra deste sistema político.

 

Com efeito, a política chegou a um tal nível de desprestígio que os partidos são já olhados pelo homem comum como se se tratassem de autênticas casas de prostituição. E a verdade é que são já mais as semelhanças do que as diferenças. Sendo certo que, quando um político se prostituí, as consequências sociais são sempre muito mais gravosas para a comunidade do que quando uma mulher o faz para ganhar a vida.

 

Sempre que cheira a poder, as disputas internas atingem um tal grau de "vale tudo" que só pessoas com poucos escrúpulos ou com um grande estômago (e pouco olfacto) conseguem manter-se, durante muito tempo, naquele atoleiro. Até porque, para se disputar a liderança, àquela meia-dúzia de militantes que controlam localmente os partidos, é necessário recorrer aos mesmos métodos de angariação e pagamento de quotas de militantes. Ou seja, é necessário ser igual a eles.

 

Pensar que as eleições nos partidos se ganham com base em projectos, programas ou debate ideológico é pura fantasia. Para que isso sucedesse era necessário que a base eleitoral, nas eleições internas, não se reduzisse ao reduzido número de militantes sobrevivente das guerras internas, a maioria deles sem preparação técnica ou formação ideológica para olhar para a actividade política a não ser pelo prisma da clubite e do interesse pessoal.

 

E de quem ganha, assim, as eleições internas não se pode esperar que mude de atitude e de estratégia quando disputar as eleições locais ou nacionais.  

 

Neste contexto, não é de estranhar que gente socialmente reputada e séria se recuse a participar na vida dos partidos, apesar dos lancinantes apelos dos comentadores, articulistas e fazedores de opinião. Sendo certo que todos aqueles que, na sua boa fé, acorram ao chamamento ficam, automaticamente, desqualificados socialmente, da mesma forma que fica manchada a reputação de uma mulher séria que seja vista a frequentar uma casa de prostituição.

 

Além disso, existe ainda o risco do apodrecimento por contágio. Na verdade, ensina-nos a experiência que, quando uma pessoa reputada de séria ganha a fama pública de vigarista e aldrabão, mais tarde ou mais cedo, acaba por querer ficar também com o proveito.

 

Ora, tendo os partidos ganhado esta má fama entre os portugueses, não se pode esperar que estes, correspondendo a um apelo cívico, acorram em massa aos partidos.

 

Qual a solução? Procedendo da mesma forma como se faz quando se quer acabar com uma casa de má fama: reformulando-a e abrindo-a a toda a gente. Ou seja, abrindo os partidos à sociedade e aos seus eleitores e alargando o universo eleitoral e a capacidade eleitoral na escolha dos dirigentes, à semelhança do que se faz nos Estados Unidos da América.