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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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In Mirante on line de 31/3/2011

 

O último plenário de militantes do PSD de Abrantes fez mossa. Os ânimos exaltaram-se e, na sequência desse ambiente conturbado, o vereador Santana-Maia Leonardo decidiu pedir na passada semana a transferência da sua militância da secção de Abrantes para a secção do Lumiar (Lisboa), onde nasceu, em protesto pelo que se passou nessa reunião onde se queixa de terem tentado impedir a sua intervenção. Na mesma semana, também Elsa Cardoso, a militante que habitualmente substituía os vereadores social-democratas nas reuniões do executivo, pediu a sua desvinculação do PSD, por razões semelhantes.

 

Como ponto de partida para a polémica está o processo eleitoral que reconduziu, no dia 26 de Fevereiro, Manuela Ruivo como líder da concelhia abrantina do PSD. Elsa Cardoso diz que só soube das eleições na véspera, quando recebeu a convocatória e já estava fechado o prazo para apresentação de listas. “Que partido/secção é este onde ninguém informa que a comissão política se tinha demitido e que iria haver eleições?”, questiona em carta dirigida ao secretário-geral do partido, Miguel Relvas, onde acrescenta: “Isto é gozar literalmente com os militantes do PSD. Ora, eu não me filiei no PSD para ser gozada”.

A presidente da concelhia, Manuela Ruivo, nega que o processo não tenha sido transparente. Em declarações a O MIRANTE refere que a convocatória foi publicada no jornal oficial do partido, o Povo Livre, nos prazos devidos. As eleições foram também divulgadas na página do PSD/Abrantes no Facebook com muita antecedência, garante. “Todos os militantes têm direitos e obrigações e um deles é saber o que se passa na sua secção e no seu distrito”, sublinha.

 

Na assembleia de militantes realizada a 19 de Março o assunto voltou à baila e, segundo a versão de Elsa Cardoso, um grupo de militantes que designou como “donos do partido” tentou monopolizar o debate e impedir o vereador Santana-Maia de falar “com vaias e gritos”. “Por sua vez, eu fui impedida de completar a minha intervenção, interrompendo-me a meio, com gritos e ofensas verbais. Só faltou mesmo ser agredida”, conta Elsa Cardoso na carta enviada a Miguel Relvas.

 

Já Santana-Maia, em carta aberta aos militantes do PSD e aos munícipes do concelho de Abrantes, diz que o plenário “estava todo armadilhado” para impedir a sua intervenção e sugere que as eleições no partido não decorreram de forma clara. “O que nós exigimos na câmara é o que exigimos no partido ou em qualquer associação: isenção, imparcialidade e rigor, designadamente quando estão em causa concursos públicos ou actos eleitorais. Estes valores não são negociáveis”.

 

A presidente da concelhia, estrutura que tinha pedido o agendamento do plenário de 19 de Março para discussão das contas e apresentação da moção de estratégia para os próximos dois anos, para além da análise da situação política, diz que a condução dos trabalhos obedece a regras. E que foi disso que se tratou. “Os militantes não podem fazer o que lhes apetece, há regras para condução do plenário”, afirma, desdramatizando.

 

Apesar dos atritos, Manuela Ruivo diz que a concelhia vai manter a confiança política na vereação PSD na Câmara de Abrantes. “Os vereadores têm desempenhado um trabalho com o qual nos temos solidarizado. São pessoas voluntariosas, que se dedicam à causa pública e ao partido”, conclui. 

 

Vide posts relacionados:

A minha intervenção no plenário do psd

Nota explicativa 

Carta aberta aos abrantinos 

As razões da minha desfiliação do PSD