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"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."
MUSEU IBÉRICO
Período antes da Ordem do Dia
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Em seguida a Vereadora Elsa Cardoso apresentou uma declaração dos Vereadores do PSD sobre o Museu Ibérico, que por ser extensa se anexa à presente acta.
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A Presidente da Câmara disse que esta declaração lhe lembra uma fábula de uma cobra que pretendia retirar o “brilho” a um pirilampo. Os Vereadores do PSD têm por hábito o uso de palavras da retórica para chamar ignorantes e irresponsáveis aos elementos do executivo em funções. O actual executivo confronta-se neste momento com uma situação financeira mais complicada e muito distinta daquela que existia no mandato anterior quando este projecto foi idealizado.
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O cenário actual é o da necessidade de governar o concelho com cerca de 5 milhões de euros num ano a menos do que anteriormente, por força de uma forte quebra nas receitas próprias e nas transferências do orçamento de estado, quando existem cada vez mais responsabilidades. Os Vereadores sabem que a Câmara Municipal mantém uma situação saudável no que toca ao endividamento, e que todos devem reconhecer e sentir-se felizes pelo facto de a autarquia não estar e não se prever ficar em incumprimento – se calhar os Vereadores eleitos pelo PSD preferiam que isso acontecesse. Disse ter algumas dúvidas sobre quais são os sentimentos dos Vereadores eleitos pelo PSD sobre esta matéria – principalmente depois de ouvir uma declaração como esta.
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Neste momento, com o facto de não se ter a garantia do financiamento do projecto – porque o Governo tarda em dizer o que pretende fazer com o QREN, provavelmente será entregar o dinheiro a Bruxelas – seria irresponsável avançar-se com o projecto nos moldes em que está, esgotando-se as receitas e ultrapassando-se a capacidade de endividamento. Se as condições fossem as mesmas, avançava-se, sem dúvida, com o projecto tal qual como idealizado. Pretende-se avançar com a obra. No entanto, poderá vir a ser necessário executá-la em duas fases (primeiro o edifício do Convento de São Domingos e, mais tarde, a construção da torre) se não houver financiamento. Esta questão, neste momento, poderá significar a assunção de mais alguns custos com o projecto e terá como consequência uma grande diminuição do impacto do projecto, por exemplo ao nível da inclusão do Museu numa grande rota. Disse achar que esta crítica significa que os Vereadores eleitos do PSD, que eram a favor desta solução, não pretendem mesmo é a construção do MIAA.
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Quanto ao estudo económico-financeiro, como já foi referido outras vezes, está a ser feito. O executivo em funções não tem a veleidade de achar que o MIAA será sustentável financeiramente por si só, porque nenhum museu o é, e porque não é essa a sua finalidade. A Presidente da Câmara disse também que lhe custa que se continue a falar sempre do mesmo e a dar azo a que outros continuem desta forma a criticar e a colocar entraves ao projecto. Esclareceu que esta possibilidade de vir a avançar com a obra de forma faseada, não se deve ao facto de a Presidente da Câmara ouvir ou não tudo o que tem vindo a ser dito, mas sim de atender às condições reais. Lamenta que se continue a denegrir a imagem de quem trabalha todos os dias em prol do concelho – pois não são ignorantes nem irresponsáveis. O que os Vereadores eleitos pelo PSD gostariam era retirar o “brilho” ao executivo em funções, mas não conseguem, porque os eleitos em funções continuarão a trabalhar muito e com a mesma garra que tiveram até agora, conseguindo fazer aquilo que poucos conseguem: uma gestão equilibrada, sem alterar as condições da Câmara Municipal, mesmo com as diversas contingências, sendo inclusivamente uma referência nacional. Ainda relativamente às considerações tecidas, referiu que o investimento é muito mais que custo. O investimento neste projecto irá traduzir-se no retorno que trará para a comunidade, independentemente do custo. (...)
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Se pretendem apelidar a presidente e os vereadores de ignorantes e irresponsáveis, façam-no, mas tenham a noção que este poderá ser um dos primeiros projectos a ter que ser alterado. Espera que, a curto prazo, não se tenha que estar aqui a discutir a reavaliação de outros projectos com impacto brutal no concelho e que poderão ser-lhe retirados. (...) Aquilo que está a ser feito hoje, de acordo com as propostas de Orçamento de Estado e com o Documento Verde, é um esvaziamento completo dos municípios e de Abrantes. Haverá municípios que ganharão com o esvaziamento de Abrantes.
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A Vereadora Elsa Cardoso disse que o Centro Histórico já está esvaziado. Que foram feitos muitos erros nos últimos anos. (...) Está-se a tentar que a cidade fique equilibrada, quando ela já não está há muito anos. Quando regressou a Abrantes arrependeu-se amargamente de o ter feito porque a cidade não correspondia de todo às expectativas de que tinha de criança. A cidade ficou um pouco fantasmagórica e acha que isso tem tudo a ver com os PDM e com o PUA. Quando isso não foi acautelado não há museu que salve, não há hipótese. Adora museus e é muito sensível às questões culturais, mas acha que já se deveria ter pegado de outra forma, porque quem sai de Abrantes e está alguns anos fora, quando regressa vê coisas obsoletas. A recuperação de casas antigas no estrangeiro é muito superior ao que é feito em Portugal. Mas esse é um problema do país. Nós não estimamos aquilo que é antigo. É mais fácil fazer uma coisa nova. (...)
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A Vereadora Elsa Cardoso disse ter-se candidatado para fazer uma Abrantes melhor.
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Ver secção (I) do DOSSIÊ II: Museu Ibérico
