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COLUNA VERTICAL



Segunda-feira, 12.12.11

REUNIÃO DA CÂMARA - 12/12/11 (I)

RESPOSTA A ALVES JANA, EX-DIRECTOR DO JORNAL DE ABRANTES

Declaração dos vereadores eleitos pelo PSD

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Em resposta à intervenção, efectuada na reunião da câmara de 14/11/11, do munícipe José Eduardo Alves Jana, na qualidade de ex-director do Jornal de Abrantes, os vereadores eleitos pelo PSD vêm dizer o seguinte:

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1.   Queixa-se o munícipe, designadamente, de ser sistematicamente reduzido, nas nossas intervenções, ao estatuto de ex-vereador pelo PS e marido da ex-vereadora e actual presidente da Comissão Política local do PS.

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2.   Diz o povo e com razão, «quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele.»

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3.   Imagine-se, por absurdo, que a directora do Jornal de Abrantes era a mulher do vereador Belém Coelho e que o jornal se limitava a divulgar as tomadas de posição dos vereadores eleitos pelo PSD na Câmara de Abrantes e que os únicos intervenientes políticos com direito a notícia, reportagem e entrevista eram Belém Coelho, Elsa Cardoso, Rui André, Santana Maia e a presidente da comissão política do PSD.

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4.   Alguém acredita que, se isso sucedesse, a Câmara Municipal de Abrantes financiaria o Jornal de Abrantes, tal como o faz hoje, aceitando o argumento para o total esquecimento das intervenções e propostas dos vereadores socialistas e da presidente da câmara de que «o carácter de mensário não nos permitia dar boa cobertura a uma actualidade por vezes diária e que deixávamos essa área da vida colectiva para os outros jornais de periodicidade mais compatível»?

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5.   Agora imagine-se que o Jornal de Abrantes tinha sido comprado por um grande grupo económico com ligações estreitas ao PSD local...

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6.   Acresce que o Jornal de Abrantes não se tem limitado a divulgar iniciativas da Câmara Municipal de Abrantes consensuais ou sem peso político.

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7.   Pelo contrário, o Jornal de Abrantes tem feito questão de divulgar iniciativas e/ou projectos que dividem literalmente o executivo autárquico.

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8.   No entanto, ao arrepio dos mais elementares princípios do jornalismo democrático e em clara violação dos princípios constitucionais, silencia as vozes discordantes no seio do executivo, apenas divulgando as posições dos vereadores eleitos pelo PS (ou coincidentes com estes) como se se tratassem de posições unânimes ou consensuais, violando, assim, de forma descarada, o dever de informar a que está, constitucionalmente e deontologicamente, obrigado.

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9.   Ou seja, o Jornal de Abrantes deturpa a informação que presta aos seus leitores de forma intencional, quer por acção, quer por omissão, como, aliás, o munícipe reconhece na sua intervenção: «o Jornal de Abrantes é qualificado de “Passos do Concelho”. Com muita verdade. (....) Compreendo que os eleitos do PSD não nos perdoem o facto de não darmos a desejada cobertura aos seus passos de oposição».

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10.   Ora, no executivo municipal, não existem vereadores de primeira e de segunda, existem apenas vereadores, com igual legitimidade e cujas opiniões não são passíveis de ser hierarquizadas, excluídas ou silenciadas.

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11.   E o facto de o munícipe ter um longo passado ao serviço do jornalismo regional não abona nada a seu favor até porque é longa a lista de jornalistas que serviram uma vida inteira o Estado Novo, sem nunca lhe pesar na consciência a forma deturpada como transmitiam as realizações do poder político sob a capa da consensualidade nacional.

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12.   Mas fiquemos apenas por aqui, quanto à violação descarada dos princípios deontológicos e constitucionais, para evitar revolver mais o estômago aos cidadãos defensores das sociedades abertas.

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13.   Importa, no entanto, não esquecer que a Rádio Tágide é uma cooperativa sem fins lucrativos, enquanto a Rádio Antena Livre e o Jornal de Abrantes pertencem a um grande grupo económico cuja finalidade é precisamente o lucro.

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14.   São duas realidades completamente diferentes.

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15.   Tão diferentes que a Câmara de Abrantes nem sequer aceita emprestar um palco para a realização de um espectáculo a uma pequena empresa abrantina, precisamente por ter fins lucrativos (vide declaração de voto da senhora presidente, na reunião de 31/10/11, para a recusa da cedência do palco para a festa de aniversário da Associação Arte Nova).

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16.   Em Abrantes, os socialistas tomaram literalmente conta do concelho, da mesma forma que Napoleão e os porcos tomaram conta da famosa quinta de George Orwell.

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17.   Também aqui os socialistas são mais iguais do que os outros.

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18.   E não é preciso irmos muito longe para constatarmos isso mesmo.

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19.   Basta comparar a forma como a intervenção do socialista Alves Jana foi reproduzida na acta da reunião de 14/11/11 com a forma como foi reproduzida intervenção idêntica de Artur Lalanda, na acta da reunião de 11/7/2011. 

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20.   Ambos apresentaram intervenção escrita que entregaram aos vereadores.

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21.   No entanto, enquanto a intervenção do socialista Alves Jana, apesar de mais extensa, foi reproduzida na íntegra (fls. 1 a 4 da acta), a intervenção de Artur Lalanda foi resumida a cinco linhas do seguinte teor:

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       «Esteve presente o munícipe Artur Nogueira Lalanda, residente na Rua Nova, em Abrantes, que apresentou uma exposição relativamente à ponte na Ribeira da Abrançalha, fazendo algumas referências à actuação da Câmara Municipal e dos Serviços Municipalizados, no que toca a esta matéria. Fez também a entrega de um documento relativo a estas questões, que se anexa à presente acta.»

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22.   Esclarecedor.

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23.   Pelos vistos, também deve ser o carácter quinzenal das actas, para utilizar o argumento do munícipe Alves Jana, que não permite dar boa cobertura a todas as intervenções dos munícipes.

 

24.   Como diz o povo, "tal pai, tal filho"...

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 Ver DOSSIÊ III: Direito da Oposição

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