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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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07 Mar, 2009

AS REPROVAÇÕES

Santana Maia - in Semanário de 27/2/09

 

As reprovações, pela própria natureza da escolaridade obrigatória, são incompa-tíveis com um ensino de qualidade e um alto rendimento escolar. Esta é uma verdade de La Palisse que não me tenho cansado de repetir ao longo dos últimos vinte. Os países nórdicos (Suécia, Dinamarca e Finlândia), reconhecidamente os países onde o ensino é mais exigente e de maior qualidade, já perceberam isto há muito tempo. Nestes países, os alunos não reprovam no ensino obrigatório, independentemente dos níveis atingidos a cada disciplina.
 
Por estranho que pareça, são precisamente as reprovações, na escolaridade obrigatória, que obrigam a que se aldrabem os resultados, se nivele por baixo e se inflacionem as notas. Com efeito, se os professores, com o nosso sistema de reprovações, fossem exigentes e atribuíssem as classificações de acordo com o nível de conhecimentos dos alunos, o insucesso e o abandono escolar atingiriam números impensáveis e inadmissíveis num país da união europeia.
 
Então o que é que se faz para se fingir que temos um ensino exigente e de qualidade? Aldrabam-se os resultados e inflacionam-se as notas, com vista a transmitir a falsa ideia de que os alunos atingiram os objectivos. E como há sempre 20% de alunos que reprovam, isso ajuda a dar credibilidade à aldrabice.
 
Quanto aos 20% dos alunos que reprovam, por muito que custe ouvir, a verdade é que 99% destes alunos acabam por passar, por antiguidade, no ano seguinte ou dois anos depois, a saberem, em regra, menos do que sabiam no primeiro ano que reprovaram e com a mesma nota dos que passaram por mérito quando eles reprovaram. Ou seja, sem nada fazerem, acabam por terminar a escolaridade obrigatória com o mesmo nível daqueles que sabiam muito mais do que eles. Ora, isto não só é absolutamente injusto e desmotivador para alunos e professores como faz com que as classificações atribuídas pelos professores não tenham qualquer relevância informativa.
 
Pelo contrário, se os alunos não reprovassem, as classificações atribuídas pelos professores poderiam reflectir o verdadeiro nível atingido pelo aluno a cada disciplina, permitindo dessa forma a qualquer pessoa (aluno, pai, professor, analista, empregador, ministra, etc.) interpretar os resultados, tomar medidas e extrair daí as consequências.
Neste caso, se um aluno quisesse terminar a escolaridade obrigatória com nível três, não lhe bastava ficar sentado no seu lugar à espera que o tempo passasse, teria de trabalhar e de se esforçar para isso, caso contrário terminava com nível um.
 
Por outro lado, isso valorizava e credibilizava, inevitavelmente, os certificados de habilitações, evitava que os repetentes se amontoassem nas turmas à espera da sua hora de passar sem fazer nada e permitiria à ministra e à escola encaminhar e apoiar os alunos com nível um e dois, com vista à sua recuperação.  
 
Se não fossemos um país de cabeças duras, não seria difícil chegar a esta conclusão. Assim, resta-nos esperar que os nossos ministros, secretários de Estado, professores, comentadores e outros inteligentes, de tanto baterem com a cabeça na parede, a consigam abrir.