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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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21 Mar, 2009

VERGONHA NA CARA

 por António Belém Coelho

 
Estão à porta as eleições Europeias. Os diversos partidos movimentam-se externa e internamente para definir os respectivos cabeças de lista e preencher os lugares elegíveis. Escusado será dizer que tal implica inúmeros jogos de bastidores, que já não são de hoje, mas sim de ontem ou de anteontem. Implica também reformas douradas para aqueles que, por um motivo ou por outro, serão mais incómodos cá, do que lá.
 
Mas a verdadeira notícia sobre este assunto é a duplicação do vencimento desses eleitos. Assim, os vencimentos base, de cerca de 3.815 Euros (três mil oitocentos e quinze euros) vão ser aumentados aproximadamente para o dobro. Em época de crise global, da qual a Europa é das mais atingidas, não está mal, não senhor! E no nosso caso particular, que é aquele que mais me interessa, então nem é melhor falar.
 
Sugiro daqui a todos os partidos concorrentes, sem excepção, que tenham vergonha na cara, e, quando muito, aumentem os vencimentos aos Eurodeputados segundo a inflação prevista (é o que o Governo faz a todos nós)! O excedente do pagamento verificado por parte das instâncias Europeias, que seja contabilizado num fundo que ajude a suportar por exemplo as prestações de desemprego, que têm subido em flecha. E já nem falo dos abonos e subsídios colaterais ao cargo que, por exemplo, em termos de subsídio de deslocação, podem atingir 287 Euros por dia! Leram bem: duzentos e oitenta e sete euros diários!
 
Entretanto e no nosso território indígena, ficámos a saber que pelas bandas do bairro “Portugal Novo” (até parece que o nome é propositado!), ninguém ou quase ninguém paga rendas pelas casas em que habita e mais do que isso, inquilino que se ausente corre o risco de perder o lugar. E viva o Estado de Direito! O Presidente da Junta, coitado, bem se queixa e corre Seca e Meca. Mas quer a Administração Central, quer a Autarquia de Lisboa, que são responsáveis por toda a questão, fazem ouvidos de mercador. Por coincidência, ambas as instâncias são geridas pelo Partido Socialista; mas certamente que tal será apenas uma mera coincidência! Ou não?
 
Por cá, volto à questão da Cidade Imaginária. O seu custo permitiria ajudar quantas famílias atingidas pelo desemprego e durante quanto tempo? Façam vocês o cálculo, visto que os valores envolvidos são públicos. E de seguida tirem as necessárias conclusões sobre a noção das prioridades de quem nos governa. Por enquanto!