FALTA UM ANO PARA AS AUTÁRQUICAS
Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança
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À excepção de Manuel Oliveira, todos candidatos à Câmara Municipal de Abrantes que integraram a lista do PSD nas últimas autárquicas foram convidados por mim, pessoalmente, e, salvo Belém Coelho e Manuel Oliveira, todos eram independentes. E a todas as pessoas que convidei para integrar as listas do PSD dei a garantia pessoal de que a sua aceitação não implicava qualquer fidelização ao partido ou quebra da sua independência. Bastava apenas estarem de acordo com as linhas estratégicas da nossa candidatura, que foram enunciadas logo na apresentação e que constam do nosso programa eleitoral.
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Hoje tenho de reconhecer que, nesta parte, os Independentes tinham razão. Os partidos, para cativarem os independentes, antes das eleições prometem-lhes a máxima independência, mas, mal acaba o acto eleitoral, exigem-lhes uma fidelidade canina, caso contrário atiram-nos pela borda fora, como se a sua missão se resumisse a ser um isco eleitoral para conquistar votos para o partido.
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No entanto, eu também tinha razão quando afirmei que não é pelo facto de uma pessoa se candidatar por um lista independente que faz dela uma pessoa mais independente, nem é o facto de uma pessoa residir ou ser de Abrantes que faz dela uma pessoa mais leal aos compromissos que assume com a sua freguesia ou o seu concelho. E bastou uma semana para se poder constatar isso mesmo: as duas personalidades abrantinas que se assumiram como os forcados da cara na lista dos independentes, depois de, cheios de galhardia, terem chamado o touro, no momento da reunião deram de frosques, obrigando os segundos e terceiros ajudas a ter de consumar a pega.
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Como é do conhecimento geral, o mandato dos vereadores eleitos pelo PSD não irá ter continuidade, tendo em conta o divórcio existente entre os vereadores e a direcção local do partido, não havendo, aliás, qualquer hipótese de reconciliação. Não se trata, apenas, de uma questão semântica, mas de uma questão de fundo, mesmo quando, aparentemente, parecemos coincidir nas críticas à gestão autárquica socialista.
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E o que nos distingue entra pelos olhos dentro: nós, os vereadores do PSD, agimos por convicção e não por mero tacticismo político. Ou seja, a nossa oposição resulta do facto de discordarmos, efectivamente, da gestão autárquica levada a cabo pelos socialistas e não do facto da gestão ser socialista.
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Falta, praticamente, um ano para as eleições autárquicas e já começam a fervilhar por aí as novas candidaturas. Ora, não faz qualquer sentido que os candidatos não eleitos do PSD não possam envolver-se, desde já, nas novas candidaturas, inclusive de outros partidos ou movimentos para os quais alguns, segundo parece, já foram convidados, tanto mais que o nosso mandato autárquico não irá ter continuidade. Aliás, a candidatura do PSD às próximas autárquicas não só não irá dar continuidade ao nosso mandato como se lhe opõe ferozmente, como, de resto, a retirada de confiança política aos seus vereadores o demonstra claramente.
