VIVER NA LUA
João Pereira Coutinho - Correio da Manhã de 30/9/12
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Desabou por aí uma polémica sobre um parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida.
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Parece que o Conselho queria deixar os doentes entregues à sua sorte e até, sei lá, matá-los para poupar dinheiro.
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Nenhum espanto: em Portugal, as polémicas nascem sempre da ignorância e da preguiça. Mas se as ‘inteligências’ indignadas tivessem lido o parecer, encontrariam um documento bem pensado (e bem escrito) que se limita a defender a ‘responsabilidade para a razoabilidade’.
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Ou, traduzindo em linguagem infantil, uma dor de cabeça não dá direito imediato a uma ressonância magnética. Cada caso deve ser tratado de acordo com regras explícitas que têm em conta o custo, o benefício, a eficácia e a relação daquele tratamento particular com a totalidade dos recursos disponíveis (e limitados). De forma a dar ‘o melhor tratamento ao maior número’.
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Elementar? Não para certas ‘inteligências’ que vivem na Lua mas pretendem tratar-se na Terra.