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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

por Dora Caldeira

 

A medida tomada pelo actual Ministério da Educação que assenta no princípio de «Escola a tempo inteiro» e que obriga os estabelecimentos do pré-escolar e do 1º ciclo a manterem-se abertos até às 17h30, a qualquer custo, tem vindo a manifestar-se uma verdadeira «desgraça» na forma como algumas autarquias a têm vindo a gerir.
 
A Câmara Municipal de Abrantes tem revelado enormes dificuldades em coordenar as aulas extracurriculares nos vários agrupamentos de escolas do concelho, com um agravamento manifesto na forma como as mesmas têm vindo a decorrer no presente ano lectivo.
 
A Câmara, recorde-se, contratou algumas empresas para assegurarem a tal «Escola a tempo inteiro», mas não revelou qualquer preocupação em saber se as mesmas reuniam qualidades e certificações para proporcionarem aos alunos verdadeiras aprendizagens e saberes. Afinal, a única preocupação que teve foi com o orçamento que cada uma apresentou (quanto mais baixo, melhor) e ocupar, de qualquer maneira, repito, de qualquer maneira, estas crianças.
 
Tem sido um rol de verdadeiras «trapalhadas» estas aulas, onde sobretudo os extras abundam. Com efeito, algumas das pessoas contratadas pelas empresas não tem qualquer formação pedagógica, nem qualquer conhecimento do currículo e da disciplina que têm que leccionar. Ou seja, podem ser professores dos nossos alunos qualquer um que apareça a dizer que está disponível para passar um tempo com as crianças.
 
Mas não ficamos por aqui. Como se isto não bastasse, estes «supostos» professores (que me perdoem os ditos, uma vez que não lhes foi exigido qualquer pré-requisito para executar este trabalho) ainda têm problemas com os vencimentos. Alguns dos «professores» ao serviço da Empresa Ludico-Ideias, após alguns meses sem receberem, resolveram mesmo, como forma de protesto, ou fazer greve às aulas ou proporcionar aos alunos umas aulas livres.
 
Nestas aulas, os alunos fazem o que querem, incluindo os disparates que gostam de fazer. Eu atrever-me-ia a chamar-lhes de aulas anárquicas e algumas tiveram tão maus resultados que alguns alunos chegaram a estar em situações perigosas e outros até se magoaram, pois não havia regras, nem controle.
 
Face a esta situação, muitos foram os protestos dos professores titulares de turma que se viram na obrigação de confrontar a Câmara Municipal de Abrantes. Esta respondeu que sempre tem feito os pagamentos à empresa que, por sua vez, diz que não tem vindo a receber e daí o facto de não pagar aos seus contratados.
 
Esta guerrilha, sinceramente, é o que menos interessa aos pais, professores e alunos, a quem a escola a tempo inteiro pouco tem desenvolvido das competências previstas para as aulas extracurriculares.
 
Aulas a qualquer custo não, obrigado!

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