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COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

Paulo Rangel - Público de 23-4-2013

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(...) A noção de desenvolvimento regiona l(...) postula uma visão integral e integrada para o território. O que significa que transporta para o organigrama governativo uma área que praticamente inexistia desde o último Governo Guterres: a área do planeamento. É sabido que os dez anos do consulado de Cavaco Silva foram profundamente marcados por um ministério de perfil transversal, dedicado ao planeamento e ininterruptamente liderado por Valente de Oliveira. É também transparente (aos olhos de hoje, diria mesmo, evidente) que a política de Valente de Oliveira foi sempre orientada para a coesão do território, para o encurtamento das assimetrias regionais, para a criação de um Estado realmente descentralizado. No equilíbrio dos pesos governativos desse período, nem sempre vingou essa orientação política, mas a verdade é que ela fez o seu caminho. 

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É também sabido que, designadamente pelas mãos de João Cravinho e de Elisa Ferreira, os anos de Guterres deram também primazia ao planeamento. No caso de Elisa Ferreira, entre 1999-2001, com uma aproximação afim da prosseguida por Valente de Oliveira, embora já matizada pela sua anterior passagem pelo Ambiente. No caso de João Cravinho, nos anos de 1995-1999, com uma visão muito mais centralista, ainda que não confessada. A ideia da continuidade urbana na frente atlântica que vai de Setúbal à Corunha, com uma metrópole ibérica na zona de Lisboa, privilegiava justamente um certo reforço das assimetrias. A continuidade urbana da frente atlântica desguarnecia o interior, a hipertrofia da metrópole lisboeta retirava peso aos pólos regionais. Pontificava aí a ideia de que o país só se podia afirmar através de uma cidade, de uma "mega-cidade" ibérica, que pudesse competir com Barcelona e Madrid. Tratava-se do que entretanto chamei o "modelo grego" (com o empolamento de Atenas) por contraposição ao "modelo holandês" (de cidades médias e com óbvia contenção de Amesterdão). Seja como for, a visão de Cravinho, no seu posto de planeamento, tinha um inegável mérito: era uma visão integral e integrada. E, como tal, dava congruência às políticas públicas com refracção territorial e dava uma resposta articulada à distribuição dos fundos europeus à época disponíveis.'(...)