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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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1.jpgJornal do Alto Alentejo - edição de 18-6-2013

Numa atitude inédita em Portugal, os vereadores do PSD na Câmara de Abrantes, Santana-Maia Leonardo e António Belém Coelho, apresentaram em livro o balanço do seu trabalho ao longo do mandato.

Para memória futura e para exemplo de cidadania fica registada a intervenção dos vereadores eleitos (mas não amados) pelo PSD.

Amar Abrantes, o nosso conSelho” foi apresentado na Biblioteca Municipal repleta de público, que não de políticos.

Com capa a partir de um fotografia de Maria Isabel Clara, os autores pagaram do seu bolso o livro, cuja produção gráfica é da empresa Retrato Falado (jornal Alto Alentejo) e ofereceram-no a todos os que participaram no lançamento.

A apresentação do livro esteve a cargo de Eurico Consciência, decano da advocacia abrantina.

No público, Artur Lalande lançou o repto para uma candidatura independente, o que foi rejeitado.

Com a sua proverbial frontalidade, Santana-Maia lembrou a dado passo que «sou do PSD mas sou como os católicos não praticantes», e contou que «uma vez fui membro da distrital (de Portalegre), era o Matos Rosa o presidente, mas as pessoas iam lá para discutir os lugares». Mas aponta que «a culpa não é dos partidos mas das pessoas», até porque «em todos os partidos há pessoas boas, más e assim-assim».

«Fiquei espantado quando me convidaram» para candidato à Câmara de Abrantes, até porque «não sou cão para passear à trela», «penso pela minha cabeça e honro os meus compromissos», mas «honro o que me comprometo e não aquilo a que não me comprometo».

Quando entendeu assumir o compromisso, «porque se todos disserem que não, isto vai mesmo ao fundo», pediu o apoio de todos, que a tal se comprometeram «mas nenhum está cá hoje». E aceitou «porque não podíamos ganhar, o que era uma vantagem porque ninguém se “colava”».

Santana-Maia salienta que «o Belém Coelho e eu somos pessoas muitos diferentes mas chegámos sempre a consenso» e cumpriram o mandato, certos de que os municípios «não podem continuar a funcionar como funcionam» nem «a deitar dinheiro para obras porque os nossos filhos não comem cimento» e «não somos um País rico».

«O importante são as pessoas», lembra o autarca que aponta que «uma coisa é apoiar quem necessita, outra é financiar quem nos vai assaltar». Hoje «Abrantes é uma cidade perigosa» que vive sob «chantagem e coacção de grupos de marginais», e a Câmara negou a evidência «até o jipe sagrado ser assaltado».

Na sua crítica geral ao sistema, Santana-Maia pugna para que «o partidarismo seja desligado» do poder, exemplificando que «não é aceitável saber-se antes dos concursos quem os vai ganhar; aqui e em todas as Câmaras», e «a de Abrantes nem é das piores». A necessidade de cidades médias, de equilíbrio no desenvolvimento, a importância de se estruturar em vez de desestruturar são outros aspectos que o autarca advoga, para depois assumir que agora o «candidato natural» do PSD seria «o Dr. Belém Coelho», pois tem todas as condições «para ser um bom presidente de Câmara», que «é a pessoa a quem qualquer um dos nós entregava a nossa empresa».

Santana-Maia deixou claro que a sua oposição na Câmara «não é uma questão pessoal», até porque «a presidente e os vereadores são pessoas que nos são simpáticas», mas «é o nosso compromisso» que dita as regras da acção.

Belém Coelho fez igualmente um balanço da inúmeras intervenções, críticas, propostas e acções que os vereadores assumiram ao longo do mandato e estão traduzidas nas quase 200 páginas deste livro muito procurado.•

Nota: para ler todas as nossas intervenções nas reuniões da Câmara Municipal de Abrantes, por pastas e temas, basta clicar sobre a foto.