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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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MIAA - RECLASSIFICAÇÃO DE ISILDA JANA NA CARREIRA TÉCNICA SUPERIOR

Declaração de voto (CONTRA) dos vereadores eleitos pelo PSD


Proposta de Deliberação da Presidente da Câmara: proceder à reclassificação de Isilda Manuel Gomes Santos Alves Jana na carreira técnica superior, que ocorrerá após a aceitação da docente e do serviço de origem e se iniciará com recurso a um período experimental de 240 dias.


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Deliberação: a proposta foi aprovada com os votos a favor dos vereadores eleitos pelo PS e os votos contra dos vereadores eleitos pelo PSD (O vereador dos ICA não participou nesta reunião)

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Declaração de voto (contra) dos vereadores eleitos pelo PSD


Como todos estamos recordados, no dia 3 de Maio de 2010, no programa "Radiografia" da RAL, o dr. Alves Jana afirmou o seguinte:


«(...) Há um outro problema, este muito mais complicado, mais polémico e que vai dar que falar. É assim... Grande parte das peças que, segundo sei, porque eu nunca vi a colecção, mas segundo sei fazem parte desta colecção não podiam fazer parte. Portanto há aqui um mistério, há aqui um mistério que vai dar muito que falar. Se é verdade que as peças de que tenho ouvido falar fazem parte daquela colecção, aquelas peças não podiam estar nas mãos do senhor Estrada, mas estão. Estão, porquê? Porque alguém lhas vendeu, o que significa que (agora sou eu a tirar conclusões), significa que alguns arqueólogos que fizeram escavações e descobriram peças preciosíssimas, em vez de as declararem ao legítimo proprietário que é o Estado português, as venderam por fora. Certo? E portanto nós vamos assistir e esse será uma das revoluções... (...) Eu não me admiro nada... Eu tenho a certeza que isto vai dar uma guerra civil mas que não vai envolver necessariamente o senhor Estrada, vai envolver a Arqueologia portuguesa. Certo? Ou seja, neste momento, também não tenho dúvidas nenhumas que deve haver gente a tremer de alto a baixo e deve haver forças a movimentarem-se para: ponto um, que este museu nunca seja feito, para que esta colecção nunca seja vista por ninguém; ponto três, quatro ou dez, que nunca ninguém saiba de onde é que aquelas peças vieram, porque se se vier a descobrir... eh pá, descobre-se não apenas de onde é que vieram as peças, mas muito mais acerca de muita gente que andou a fazer escavações nestes séculos... nestes séculos, não... nestas décadas passadas. Tenho a certeza de que este vai ser um problema levantado.» (vide acta da câmara de 10/5/2010)


Ou seja, o dr. Alves Jana, mostrando perfeito conhecimento do assunto, disse textualmente que houve arqueólogos que se apropriaram indevidamente de obras preciosíssimas do Estado português («descobriram peças preciosíssimas e em vez de as declararem ao legítimo proprietário que é o Estado português, as venderam por fora») e que o senhor Estrada as adquiriu («aquelas peças não podiam estar nas mãos do senhor Estrada, mas estão. (...) Porque alguém lhas vendeu»).


E, mais grave, ainda, disse-o publicamente, apresentando estes factos como dados inquestionáveis e com a noção absoluta da sua gravidade («Eu tenho a certeza que isto vai dar uma guerra civil»; «neste momento, também não tenho dúvidas nenhumas que deve haver gente a tremer de alto a baixo»).


Acresce que o dr. Alves Jana não é uma pessoa qualquer que nos leve a pensar que se limitou a divulgar um boato que ouviu no café, o que só por si já seria muito grave.


O dr. Alves Jana, para além de ter sido vereador socialista, era e é o marido de Isilda Jana, a pessoa que melhor conhece a colecção.


Ora, face a uma denúncia pública de uma gravidade extrema, proferida por tão insigne e bem informado socialista, sobre a forma como "peças precocíssimas" passaram a integrar a colecção, como reagiu o Município e a dr.ª Isilda Jana? Apresentaram queixa contra o putativo caluniador? Exigiram publicamente a sua retractação pública? Deram uma conferência de imprensa para denunciar a calúnia e esclarecer os munícipes? Distribuíram um comunicado à imprensa?


NÃO! Calaram-se, pura e simplesmente, bem sabendo que, num caso com estes contornos, “quem cala consente”.


Tanto mais que, por muito menos, a Câmara deu uma conferência de imprensa, apresentou queixa-crime e distribuiu um comunicado à imprensa. Referimo-nos, obviamente, ao recente panfleto dos Bombeiros que não tem, nem de perto, nem de longe, nada que se compare em gravidade às declarações do dr. Alves Jana.


Acresce que, da mesma forma que um advogado não pode representar um cliente, se a sua esposa vem para a rádio destruir a sua reputação, denunciando factos ilícitos praticados por este, também a dr.ª Isilda Jana não tem condições para estar à frente de um projecto, após aquelas declarações públicas do seu marido que não foram sequer desmentidas por ela.


Pelo exposto, os vereadores eleitos pelo PSD votam contra esta deliberação.


Ver secção (I) do DOSSIÊ II: Museu Ibérico