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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Santana-Maia Leonardo - Nova Aliança

Quando me sento, num quente dia de verão, numa esplanada de praia, fico impressionado com o cada vez maior número de pessoas que permitem que o seu corpo seja usado como um mural de grafiti. Aliás, tenho a certeza de que a maioria delas ficaria indignada se um garoto desenhasse na frontaria das suas casas os desenhos que elas trazem no corpo. Na verdade, no tempo em que tudo é efémero, só as tatuagens perduram.

Nestas alturas, vem-me sempre à lembrança a definição de "aristocrata natural" (por oposição aos "aristocratas de plástico e postiços" que há por aí aos pontapés) do conservador irlandês Edmund Burke: «uma voz permanente, serena mas firme, num oceano de mudança, que simplesmente aguarda o regresso do bom senso e do bom gosto».

A minha avó e a minha mãe nunca precisaram de escrever o nome dos filhos nos braços e nas pernas para terem o seu nome gravado no coração e sacrificarem as suas vidas por eles. E não deixa de ser irónico constatar que, hoje, demasiadas vezes, o único que fica de tão efémeras relações é precisamente o nome do filho ou do amado esquecido num braço ou numa perna como uma lápide num cemitério.

Desde que me conheço usei sempre o mesmo corte de cabelo. Umas vezes estive na moda (quando se usava o cabelo curto), outras vezes estive fora de moda (quando a moda era o cabelo comprido). Isso não significa que o meu cabelo tivesse permanecido sempre na mesma. Apesar do corte ser o mesmo, o cabelo mudou de cor e em quantidade. Ou seja, mudou naturalmente como tudo devia mudar.

Hoje não há ninguém que se queixe da falta de valores. Mas os valores são incompatíveis com as modas. Os valores são perenes; as modas são efémeras. Além disso, os valores nunca são de modas.