Nada nos une, tudo nos separa
Santana-Maia Leonardo - Nova Aliança
As candidaturas de Rui Moreira e de Luís Filipe Menezes à Câmara do Porto são a demonstração inequívoca de que coexistem, no PSD, projectos, ideias e personalidades absolutamente inconciliáveis. E se estamos a ver Luís Filipe Meneses ser capaz, por puro tacticismo político, declarar o seu apoio a Rui Rio, dificilmente seríamos capaz de ver Rui Rio fazer uma tal demonstração pública de cinismo político.
Luís Filipe Meneses, tal como Miguel Relvas e a sua estagiária abrantina (começou tarde mas, pelos vistos, aprendeu depressa), é a emanação do aparelhismo, com toda a sua panóplia de truques, tácticas e disfarces, cuja única ideologia é a conquista e a manutenção do poder por qualquer preço e a qualquer preço.
Rui Rio, pelo contrário, é um homem de convicções e age de acordo com elas, sem ceder às conveniências do momento. Basta ver que Rui Rio só foi presidente de câmara do Porto porque não teve receio de assumir um desafio que Luís Filipe Meneses rejeitou porque estava convencido, como as sondagens categoricamente indicavam, de que o socialista Fernando Gomes tinha a vitória garantida. Recordo que, na altura, as sondagens davam 15% ao candidato do PSD e mais de 50% a Fernando Gomes.
Internamente, é também com Rui Rio que o PSD inicia, pela primeira vez, um combate sem tréguas à viciação de resultados eleitorais e aos sindicatos de votos de que Luís Filipe Meneses era um dos rostos. E, então, quando comparamos as duas formas de gerir a coisa pública, não há praticamente nada em comum: Luís Filipe Meneses representa o lado mais negro do populismo, enquanto Rui Rio representa o gestor social-democrata, sério, rigoroso e competente.
Ora, reside precisamente nestas duas maneiras totalmente inconciliáveis de ver e viver a vida política, a explicação para a incompatibilidade absoluta entre a actual comissão política concelhia do PSD e os seus vereadores no mandato que agora terminou. Representamos dois mundos diferentes: de um lado, o mundo da táctica, do videirismo, da golpada e da aldrabice (o mundo da ideologia do poder); do outro, o mundo das convicções, da exigência, da seriedade e da honra (o mundo da social-democracia, do personalismo e do liberalismo político).






