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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

por António Castelbranco

 
O projecto para o Museu Ibérico de Arte e Arqueologia pode ser interpretado da seguinte forma: É uma ideia que à partida até pode parecer apelativa e à moda dos grandes centros urbanos, das cidades cosmopolitas, mas que, em Abrantes, não encontra o contexto necessário para uma existência pacífica como o centro histórico onde se quer localizar e impor.
 
 Trata se de uma proposta muito simples: é um paralelepípedo - provavelmente - em betão branco e sem quaisquer aberturas nas fachadas (ao estilo do Pavilhão do Conhecimento na Expo 98, que é do mesmo arquitecto) com uma altura de aproximadamente 30 metros!!! (ou seja o correspondente a um prédio de 10 andares). Mas que tem a possibilidade de ser recoberto com uma tela plástica do género daqueles reclames nas empenas dos edifícios em Lisboa. Penso que é esta a ideia, ou seja um MEGA placard de cultura publicitária e efémera … Enfim, é uma ideia muito FASHION aqui “prós pacóvios” abrantinos!!! Que não percebem nada daquilo que é estar na crista da onda cultural…
 
Perguntavam-me no outro dia por que é que eu não estou de acordo com esta proposta. Devo dizer que tenho muitas razões para discordar da ideia subjacente a este projecto, mas hoje vou só falar de informação, vou falar de democracia participativa e de participação cívica, aquilo a que se chama de cidadania! E por isso pergunto-me: será que os abrantinos estão informados do que se prepara para ser construído no centro histórico da nossa cidade? E, se estão, será que é esta a solução que querem? Em todo o caso, ao que parece, o projecto já foi aprovado pelo IGESPAR (antigo IPPAR)
 
 Apesar disto, houve uma sessão de esclarecimento na Igreja do Castelo, no dia 25 de Junho, que parece um tanto fora de tempo, uma vez que o projecto já foi aprovado. Faz lembrar aquelas situações em que primeiro se dá o tiro e depois pergunta-se ao morto se ele era culpado. Todavia, penso que ainda é altura de incentivar uma discussão pública e verdadeira, e o debate, mostrando ao país que Abrantes não prescinde de tomar uma atitude informada e de cidadania!
 
Em todo o caso, aproveito ainda para vos apresentar uma opinião de um amigo que me mandou no mês passado. É uma opinião que, por ser eloquente, quero partilhar convosco (Carlos Fernandes é meu colega e está ligado às questões do património e da Cidade).
 
 «Olá, António,
 A expressão arquitectónica (Museu Ibérico de Arte e Arqueologia) sugerida pelas fotografia confirmam a neurose obsessiva pela afirmação de autoria sem consideração pela maior das virtudes associadas ao génio da séria e intemporal autoria, a saber, a humildade.
 Abrantes, se optar pela distracção ou se se deixar iludir pela efemeridade das paixões, pode estar a adquirir um produto que não resistirá à falência de autorias apressadas.
Um abraço, Carlos Fernandes»
 
Espero que com estas opiniões tenha contribuído para incentivar o diálogo e a melhorar a nossa cidade!

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