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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Santana-Maia Leonardo

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Em Espanha, chamam "cláusula do medo" ou "cláusula da vergonha" à cláusula facultativa que os clubes que emprestam um jogador a outro clube podem inserir no contrato de empréstimo para os impedir de jogar contra a sua equipa. E esta cláusula é bastante depreciada, em Espanha, na medida em que revela um temor incompreensível de uma equipa jogar contra um jogador que não ficou no plantel por se considerar que ainda não tinha rodagem ou traquejo suficiente.

O Barça, recordo, perdeu o campeonato há três anos porque Munir, um canterano de la Masia que estava emprestado ao Valência, marcou o golo do empate. No entanto, não há um único sócio, dirigente ou treinador do Barça que, com base nisso, defenda a "cláusula do medo". O Barça quer jogar sempre contra os melhores jogadores das outras equipas. Ganhar contra um adversário desfalcado não honra nem dá glória. 

Mas, em Portugal, não é sequer isso que se passa. Em Espanha, os jogadores emprestados são jogadores jovens com potencial, muitos deles saídos da cantera, que precisam de jogar para desenvolver o seu potencial para regressarem à casa-mãe. Ora, não é nada disto que se passa em Portugal em que os clubes com mais poder económico contratam, por grosso, os melhores jogadores dos pequenos clubes, a maioria dos quais não têm nem idade, nem reúnem condições para aspirar sequer a poder jogar no clube-comprador, com vista a emprestá-los, desfalcando, por um lado, a equipa a quem os emprestam ou compram quando jogam contra o clube-comprador, e, por outro lado, reforçando estas equipas contra os adversários directos do clube-comprador. Para já não falar de outras dependências que se criam por esta via...

Isto não tem nada a ver com a "cláusula do medo" tão criticada em Espanha, mas com a CLÁUSULA DA BATOTA, uma especialidade bem portuguesa de adulterar as leis e os regulamentos importados dos outros países, com base no habitual chico-espertismo. E as vitórias com batota nunca são gloriosas. A não ser para os batoteiros.