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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Rui Ramos - Observador de 7-1-2014

(...) A economia portuguesa é um exemplo: de facto, nunca recuperou do choque da abertura dos mercados e do alargamento da União Europeia desde a década de 1990. Relutante em fazer reformas, a oligarquia política portuguesa abusou do crédito barato gerado pelo euro, e incentivou cidadãos e empresas a fazerem o mesmo, com a esperança de que as despesas fossem  reprodutivas. Não eram: eram apenas despesas. A história da Grécia não é muito diferente. (...)

A integração europeia, e sobretudo a união monetária, pode ter sido involuntariamente perversa. Em teoria, deveria ter ajudado as oligarquias do sul a adaptar gradualmente os seus países à globalização. Em vez disso, a ideia de que o sentido do Euro é sobretudo político gerou nessas oligarquias a expectativa de que seria possível forçar o norte a financiar a relutância em mudar no sul. Se a prioridade é construir uma Europa unida, para além de toda a racionalidade económica, então faz sentido apostar em que, a fim de evitar a desagregação da zona Euro, toda a gente fará o que for preciso, inclusive pagar os défices gregos.

É o que todos, agora, suspeitam que significa o Syriza: não um qualquer chavismo balcânico, para que falta aliás o petróleo, mas apenas uma nova maneira de pressionar a Europa do norte. Na Grécia, a oligarquia, agora reforçada pelo Syriza, não luta pela independência, mas pela dependência. A culpa só será dos alemães se, mais uma vez, eles aceitarem a chantagem.

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