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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Francisco Teixeira da Mota - Público de 20-12-2014

O título deste artigo não é meu. Vem escrito em inglês – The Disgrace of Our Criminal Justice – e é o título de um artigo do professor de Direito David Cole publicado na New York Review of Books de 4 de Dezembro. (...) 

A justiça norte-americana tem, de resto, sido ultimamente objecto de atenção mundial, pelas mortes de cidadãos negros às mãos da policia e que revelam bem o grau de violência absurda a que se  chega com facilidade – ou em que se vive – nos EUA. O racismo na aplicação da lei e na actuação  das polícias é uma realidade nos EUA que ultrapassa ou se sobrepõe à sempre presente diferença de tratamento judicial de ricos e pobres. No passado dia 22 de Novembro, em Cleveland, Tamir Rice, um jovem negro de 12 anos, foi morto pela polícia quando estava a brincar num parque com uma pistola de brinquedo e, quando a sua irmã de 14 anos  correu para ele, depois de ter sido alvejado, um dos polícias agarrou-a, colocou-lhe algemas e sentou-a no banco de trás de uma carro da polícia.

No passado dia 3, a decisão de um grande júri de não acusar o agente policial branco Daniel Pantaleo pela sua actuação na morte do cidadão negro Eric Gardner que, no dia 17 de  Julho,  morreu sufocado ao ser detido e após se queixar diversas vezes que não conseguia respirar (cfr.http://www.theguardian.com/us-news/video/2014/dec/04/i-cant-breathe-eric-garner-chokehold-death-video), foi mais uma gota de água num copo que já está a transbordar há muito.

Tanto o Presidente Obama como o procurador-geral Eric Holder, na sequência desta decisão do grande júri de StatenIsland, se  viram obrigados a declarar publicamente que a nível federal e em termos de violação de direitos civis, a situação ia ser investigada e que iriam ser feitos esforços no sentido de restaurar a confiança entre os agentes policiais e as diversas comunidades onde se inserem.  

A presença de Obama na presidência dos EUA não mudou, por si só, a realidade. Depois das batalhas de Martin Luther King nos anos 60 do século passado e em reacção a estas sucessivas e fatais discriminações, parece já estar em curso uma segunda vaga da luta pelos direitos civis dos cidadãos negros nos EUA.