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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Santana-Maia Leonardo Rede Regional de 6-2-2017

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Lisboa exerce um poder cada vez mais asfixiante sobre todo o território nacional. E o futebol é sempre o melhor espelho da realidade. Cinquenta anos após o 25 de Abril, os dois maiores clubes da capital continuam a manter cativa a esmagadora maioria da população portuguesa, impedindo que os clubes das cidades médias consigam reunir dentro de portas um número significativo de adeptos capaz de os enfrentar.

À excepção do Porto (a nova Cartago) e de Guimarães (a aldeia gaulesa de Astérix), todas as cidades portugueses continuam a prestar vassalagem a Roma. Na nossa comunicação social, apenas os feitos desportivos dos clubes de Lisboa são valorizados e apresentados como feitos nacionais. Basta comparar a relevância e o destaque dados pela imprensa desportiva da capital à vitória do Moreirense na Taça da Liga, um feito único e provavelmente irrepetível, com os destaques dados às habituais vitórias do SL Benfica na mesma prova. Até a vitória do FC Porto na Liga dos Campeões, o maior feito futebolístico alguma vez alcançado por uma equipa portuguesa, não teve o mesmo tratamento dado às vitórias do Benfica na Taça da Liga, uma competição destinada a rodar as segundas linhas. E mesmo quando se trata da selecção nacional, os atletas e os seus feitos são valorizados de forma diferente consoante o seu clube de origem.

Em Portugal, seja no futebol ou na política, a cor de camisola é o único critério relevante na decisão para os governantes, para os dirigentes federativos, para os árbitros, para os jornalistas e para o cidadão comum, sendo absolutamente irrelevante o mérito e a razão. E num país com esta cultura é absolutamente inútil a defesa da verdade desportiva, uma vez que se trata de um combate que a razão não pode vencer.

E, como se isso não bastasse, a ganância tomou conta da Liga Portuguesa. SL Benfica, Sporting CP e FC Porto já não são apenas grandes superfícies que reduziram todos os outros clubes a pequenas lojas de bairro. Pelo contrário, SL Benfica, Sporting CP e FC Porto são e agem como se fossem os Donos-Disto-Tudo, colocando-se acima das leis, das regras e das próprias instituições de que fazem parte e que controlam, tendo a consciência plena de que, façam o que fizerem, nada lhes pode suceder.

Resumindo, o futebol português vive sob o jugo de uma feroz e sinistra ditadura capitalista. E ditadura capitalista nos dois sentidos: ditadura da capital e do capital.