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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Paulo Cleto Duarte - Público de 24-11-2014

(...) Como alertou o Banco Mundial, num relatório de Outubro de 2013, a austeridade seis vezes superior à dose indicada pela troika introduziu em Portugal o risco, inédito, de “ruptura da rede de farmácias”. Nas contas da Universidade de Aveiro, 2414 das 2915 farmácias portuguesas deram prejuízo em 2012, o que corresponde a 83% da rede. As 415 farmácias mais pequenas têm, em média, 50 mil euros de prejuízo anual por manterem a porta aberta. Ora, muitas dessas farmácias são o serviço de saúde que resta às populações, rurais ou urbanas, mais isoladas e desfavorecidas. Na última década fecharam, em Portugal, 763 extensões de centros de saúde e 200 serviços de atendimento permanente ou de urgência básica. Desapareceram, também, 1330 postos dos correios e três em cada quatro escolas do primeiro ciclo, as antigas escolas primárias.

O sociólogo António Barreto sempre defendeu que o despovoamento e a concentração de serviços são fenómenos próprios do desenvolvimento económico, mas também alertou para o problema da dose. “Os ministérios perdem a cabeça, os directores-gerais perdem a cabeça e em vez de quatro escolas é dez, depois em vez de dez são 20, depois das 20 passa a 40, e depois não se repara, não se faz a diferença”, declarou, numa recente entrevista aoDiário de Notícias.

É evidente que Portugal, para dar a volta ao envelhecimento da população e à desertificação do território, tem de criar condições para que os portugueses possam constituir família, ter iniciativa empresarial e emprego. As farmácias são a maior — e melhor distribuída — rede de combate à desertificação. O facto de serem o serviço de saúde mais próximo da esmagadora maioria dos portugueses tem de ser aproveitado. Com urgência, porque nenhuma pequena empresa resiste a 50 mil euros de prejuízo por ano.