Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

14 Fev, 2021

A eutanásia

1155991_314833.jpg

Do ponto de vista estritamente pessoal, fico satisfeito por ter sido aprovada a lei da Eutanásia. Uma das coisas que sempre me angustiou foi ter de ser obrigado a viver contra a minha vontade. O direito à minha vida é um direito que me pertence pelo que devo poder pôr um ponto final na história, quando achar que a minha vida já não faz sentido ser vivida.

Aceito que outras pessoas possam ter uma opinião diferente, mas cada um sabe de si. Agora não comparem a eutanásia com a pena de morte, nem sequer com o aborto, porque, em qualquer destes casos, a decisão incide sobre a vida de terceiros, ao contrário da eutanásia que incide sobre a vida de cada um.

É certo que, num país estruturalmente corrupto como Portugal, há sempre o risco de a eutanásia servir para outros fins que vão muito para além da decisão pessoal, a fazer lembrar aquela rábula de Raúl Solnado em que o seu pai lhe disse: “Tu quer queiras, quer não queiras, vais ser bombeiro voluntário”.

Em Portugal, também vai haver muita gente que quer queira, quer não queira, há-de tirar bilhete para o outro mundo, à conta da eutanásia. Tudo, obviamente, dentro da máxima legalidade e devidamente certificado. E, então, quando se junta a fome com a vontade de comer…

A mim, devo desde já dizer que isso não me preocupa minimamente, porque, se os meus filhos aproveitassem essa possibilidade, para me tirar o bilhete, não me fazia a mínima diferença, porque viver, actualmente, já não é uma das coisas que me dê grande prazer.

Agora é óbvio que a aprovação da eutanásia, à socapa e quando o serviço nacional de saúde está a rebentar pelas costuras, estando em causa, inclusive, a sua sustentabilidade económica, só pode ter uma leitura, por muito boas razões que se queiram invocar para justificar a sua aprovação. Aliás, esta é precisamente uma característica das leis portuguesas: mesmo as boas leis são sempre aprovadas por más razões.

E não se venha com a conversa da treta de que a eutanásia tem de ser atestada por médicos, etc. etc.

Àqueles que fingem que não sabem o que a casa gasta, só lhes faço uma pergunta. Qualquer um de nós, certamente, defende que uma pessoa possa faltar ao trabalho se estiver doente e o atestado médico serve precisamente para atestar isso. A pergunta que faço é a seguinte: todas as pessoas que faltam ao trabalho com atestado médico estão doentes?

Como diz o povo, para bom entendedor, meia palavra basta.

Santana-Maia Leonardo

1 comentário

Comentar post