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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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A União Europeia enredou-se numa teia de burocracias e burocratas onde a democracia deixou de fazer sentido uma vez que as nossas escolhas estavam reduzidas a partidos gémeos, em que apenas variava o nome, sob pena da União se esfrangalhar. Ora, por muita fé que tenhamos nos burocratas europeus, as democracias constroem-se com a participação livre dos povos e o voto deve assentar sempre numa escolha consciente e informada e não na persuasão pelo medo do Papão ou do Dilúvio.

O argumento do Papão tem pés de barro e mais dia menos dia há sempre alguém mais destemido que resolve enfrentá-lo. E o desespero torna sempre as pessoas e os povos mais corajosos. Quem não tem nada a perder o que é que pode perder?

A vitória do Syriza, nas eleições gregas, foi a vitória natural de um povo em desespero que perdeu o medo do Papão. E eu, que sou uma pessoa avessa a revoluções e a experimentalismos, saúdo a sua vitória. A União Europeia chegou a um momento em que tem de se definir: ou quer ser uma verdadeira união de povos europeus ou cada um vai à sua vida, antes que seja tarde de mais. Esta união que não é carne nem é peixe, está-se a transformar numa nova Jugoslávia, gerando e alimentando ódios e divisões entre os povos da Europa que eu pensava que já estavam enterrados há muito tempo.

Fevereiro de 2015