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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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08 Mai, 2020

A puta que o pariu

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A destreza e a simplicidade com que Ricardo Quaresma, no um-para-um, driblou o glorioso político e cartilheiro André Ventura e lhe enfiou as suas alarvidades de trivela pela goela abaixo, depois de lhe ter feito dois túneis e uma rabeta, são a prova de que, mesmo na política, as qualidades do futebolista de génio são muito superiores às do comentador-por-encomenda.

No entanto, no Parlamento, quando António Costa quis responder a André Ventura com a trivela de Quaresma ficou também bem patente a sua falta de jeito para jogar à bola. Aliás, a segregação das comunidades ciganas que André Ventura solicitou a António Costa já tinha sido posta em prática por este ao reunir apenas com os três clubes portugueses de raça pura, não consentindo sequer que saíssem do gueto onde estão confinados, há muitos anos, os restantes clubes de etnia abaixo-de-cão.

Mas será que existem graves problemas com as comunidades ciganas em Portugal? Claro que há e o senhor primeiro-ministro tem no seu governo uma ministra que pode não saber de Agricultura, mas que conhece bem este problema, porque foi presidente da câmara de uma cidade, onde eu fui vereador da oposição, e isso era uma evidência (veja as actas de 2009 a 2013).

Mas a culpa não é, obviamente, dos ciganos, cujas comunidades já estão transformadas em verdadeiros guetos por imposição do poder político racista e cobarde que nos tem governado nos últimos 40 anos e que, na sua imensa hipocrisia, ainda tem o descaramento de se armar em defensor dos direitos humanos. O único culpado da guetização da comunidade cigana é o Estado racista português, nas suas diferentes vertentes: (a) a Escola, porque se demitiu de educar as gerações de ciganos mais novas, sendo a escolaridade obrigatória; (b) a Segurança Social, porque continua a fingir que não vê nas comunidades ciganas aquilo que tão bem vê nos filhos da gente pobre que não é cigana, infernizando-lhes a vida e institucionalizando-lhes os filhos, caso o menor não tome banho e não lave os dentes, não tome o iogurte a horas certas, a casa esteja desarrumada ou os pais não trabalhem; (c) o Governo e a Assembleia da República, porque criaram uma legislação criminosa que protege e financia os criminosos, promove o crime e desprotege completamente as vítimas e as testemunhas honestas; (d) os Tribunais, porque preferem refugiar-se na justiça formal, feita de testemunhas e de vítimas que, para salvarem as suas vidas e as dos seus familiares, têm de negar ou calar o que sabem e o que viram, a enfrentar a dura realidade de cidades e vilas "sem rei, nem roque"; (e) a Autoridade Pública, totalmente desautorizada, que só é forte perante os fracos e que treme perante comunidades de delinquentes; (f) e, finalmente, as autarquias que assistem, impávidas e serenas, ao lavrar do incêndio sem um gesto público de indignação e sem serem capazes de liderar as respectivas comunidades que clamam pelo direito de viver em paz e em segurança.

Resumindo: o principal culpado do falhanço da integração das comunidades ciganas é a esquerda mole, lassa, barriguda e viscosa que, durante 40 anos, nos governou, se reproduziu nos órgãos de comunicação social e engordou nas repartições públicas. Esta esquerda portuguesa (leia-se: PS/PSD) é a mãe biológica da extrema-direita portuguesa, o que significa que André Ventura e António Costa não pertencem apenas à mesma família futebolística do Estado Soberano, pertencem também à mesma família política. Só que André Ventura representa o filho e António Costa a mãe.

Santana-Maia Leonardo