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COLUNA VERTICAL



Terça-feira, 27.01.15

A realidade Auschwitz

Bronislaw Misztal - Público de 27-1-2015

Auschwitz-birkenau-main_track.jpg

A 27 de Janeiro de 1945, o Exército soviético chegou às instalações do campo de concentração alemão nazi em Auschwitz. A guerra estava perto do fim. Ao entrar, os soldados encontraram cerca de sete mil doentes, aleijados, gente magoada e a morrer num clamor de horror. (...)

Entre o final de Abril e o início de Julho de 1944, cerca de 426 mil judeus húngaros foram para Auschwitz. A SS enviou 320.000 deles directamente para as câmaras de gás em Auschwitz-Birkenau. No total, 1,1 milhão de judeus foram deportados para Auschwitz. Cerca de 200.000 outros entraram, incluindo 140.000-150.000 polacos não judeus, 23.000 ciganos e Sinti (ciganos), 15.000 prisioneiros de guerra soviéticos e 25.000 outras pessoas (civis soviéticos, lituanos, checos, franceses, jugoslavos, alemães, austríacos e italianos). A humanidade dos indivíduos foi reduzida ou posta à prova. (...)

A administração da morte era rápida, silenciosa e cruel. Não havia justiça, não havia lei, nem esperança, nem futuro, nem gente a quem implorar pela vida. Guardas e soldados alemães e estrangeiros desenvolveram uma forma de colocar completamente a sua vida privada fora dos arames farpados e retirá-la das atrocidades quotidianas que eram cometidas. Tentar não morrer de doenças comuns, enquanto se aguardava a morte na câmara de gás era uma filosofia de sobrevivência. Crianças que nasciam lá e que não podiam ser um dos 700 eram mortas. As crianças que iam para o acampamento eram também mortas, frequentemente por injecção letal.

Relatos contemporâneos do processo, chamado Holocausto, apontam para o facto de que a grande escala, o extermínio em massa de grupos étnicos foi um processo planeado e racionalmente organizado. (...)

No meu próprio trabalho sobre fundamentalismos (1992), foquei-me na confusão epistémica, no facto de que uma ausência de coordenadas cognitivas e normativas torna possíveis fenómenos como o Holocausto, o terrorismo e todas as outras formas de violência baseadas no ódio. É por isso que, mais do que nunca, precisamos de entender bem o mecanismo que permite a separação desumana entre valores e a sua prática.

No 70.º aniversário da libertação do campo de Auschwitz nós, polacos, nós, europeus, lembramos as atrocidades, ainda investigamos os mecanismos e tentamos sarar a ferida do Holocausto. Lembrar não é entender. Nunca entenderemos. Nunca aceitaremos tais atrocidades profundamente desumanas. Mais do que ninguém, todos nós trazemos cicatrizes nas nossas recordações, cicatrizes que resultam da ausência dos nossos avós, tios, primos e amigos, cicatrizes que resultam da nossa solidão.

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