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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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O recente endurecimento das medidas repressivas relativamente aos infractores do Código da Estrada deixaram-me estupefacto. Não é verdade que, nos últimos anos, todos os governos têm sistematicamente agravado as medidas repressivas aos infractores das regras estradais e despendido cada vez mais verbas com a fiscalização? E não é verdade que, apesar do aumento das medidas repressivas e da fiscalização, os acidentes continuam a atingir números elevadíssimos?

Por que razão insiste, então, o Governo em aumentar a panóplia de medidas repressivas, em vez de reconhecer, tal como já se fez relativamente à toxicodependência, que essas medidas não só não resolvem nada como ainda têm ajudado a agravar o problema?

A culpa dos acidentes, ao contrário do que alguns espíritos mais retrógados pretendem fazer crer, não é dos “bebedolas”, nem dos “aceleras”. Estes, no fundo, são doentes. Os primeiros estão viciados no álcool, os segundos na adrenalina. Os únicos e verdadeiros culpados dos acidentes são os vendedores e os fabricantes de automóveis que tentam, por todos os meios, impingir a pessoas carentes e desprotegidas máquinas cada vez mais potentes. Ora, eram estes que o governo devia perseguir e punir severamente.

Quanto aos “bebedolas” e aos “aceleras”, em vez de os perseguir e reprimir os seus comportamentos, o Governo devia adoptar medidas idênticas às que tomou relativamente aos toxicodependentes. Ou seja, deviam ser criadas as «estradas-de-prego-a-fundo», equipadas com morgues, cemitérios e centros de saúde, para que os automobilistas que são incapazes de viver sem acelerar e correr riscos ou de conduzir sem ser em estado de embriaguez se pudessem estampar à vontade com a máxima segurança.

Julho de 2001