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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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ESTADO DO AMBIENTE NO CONCELHO DE ABRANTES

Intervenção do deputado municipal do BE

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ETAR dos Carochos: duas décadas de efluentes a serem despejados directamente no rio Tejo; Abatimento por corrosão das manilhas da rede de águas pluviais na Zona Industrial Norte de Abrantes com o derramamento de poluentes desconhecidos; milhares de peixes mortos em 2007, 2009 e 2015 no açude insuflável do Rio Tejo. É esta a marca da inercia ambiental do executivo da Câmara Municipal de Abrantes (CMA) onde existem três linhas de conduta comuns: a 1ª é a intervenção do Bloco de Esquerda interpelando o executivo municipal e este a responder evasivamente desresponsabilizando-se; a 2ª é o falhanço total das entidades competentes que deveriam fiscalizar e a 3ª é a cumplicidade da bancada de maioria socialista que funciona, apenas e só, como uma simples extensão de executivo, embora hoje ria menos e opte pelo silêncio, contrastando com o que aconteceu, na sessão efectuada em 26 de Junho de 2009, onde riu divertidamente, ao ouvir, sobre a mortandade de 2009, o Sr. Nelson de Carvalho, Presidente da CMA, à data, afirmar que seria desumano obrigar os “peixinhos” a saltar degraus, demonstrando, na altura, a sua total ignorância sobre o que é uma escada passa peixes.

Morte de milhares de peixes no açude de Abrantes

O Bloco de Esquerda não aceita a fundamentação de que a morte de milhares de peixes, a 3 de Abril último, seja consequência do baixo caudal do rio Tejo, pois existem testemunhas que presenciaram a verdadeira causa contrariando a versão do executivo municipal. Luís Dionísio, morador nas Barreiras do Tejo, em Abrantes, no dia 14 de Abril de 2015, em declarações públicas afirma: “ é vergonhoso tentar tapar o sol com a peneira (…)pois  as toneladas de peixes morreram  porque a comporta do meio não abriu. Eu vi com os meus olhos. Foi preciso vários elementos para fazer abrir uns poucos centímetros a dita comporta, mas já foi tarde. (…) O Sr Presidente dos SMA sabe disse,  ele estava presente. Lamento ter que expressar o que constatei desta forma mas estou indignado com as pessoas que estão à frente da nossa autarquia (…) bem haja aos Abrantinos manifestem-se. Quem cala consente (…).”

O Sr. Luís Valamatos, Vereador do Ambiente, afirmou que a estrutura foi vandalizada. Nós acrescentamos que dois compressores estão avariados e que a obstrução no canal da escada passa peixe e no canal do caudal ecológico revelam que, ao contrário do que o sr Vereador e a Sra Presidente da CMA afirmaram,  o açude não é monitorizado todos os dias pois não detectaram estas visíveis anomalias.  Também a não instalação de um sistema de monitorização se deve a pura negligência pois já há muitos anos existem sistemas de vídeo e gaiolas aplicadas em várias obras hidráulicas. E para espanto nosso, o executivo tentou até responsabilizar, por este crime ambiental, o facto da empresa Soares da Costa, SA, não avançar com a construção de uma mini-hídrica… Mas estamos todos loucos?

Falando na Soares da Costa, SA, esta empresa vai construir, também, uma mini-hídrica no rio Zêzere, na freguesia de Martinchel pelo que mais atentados ambientais se anunciam.  O Bloco de Esquerda repudia veemente que, tanto a autarquia abrantina, como o Estado português e a União Europeia, financiem investimentos públicos como este, promovendo impactes negativos sobre as espécies migradoras, quando têm obrigação de as proteger, de acordo com o previsto em legislação nacional e comunitária, além de que estas construções não passam de atribuições de rendas fixas a privados que, no caso de Abrantes e Martinchel, ficarão com a concessão por um período de pelo menos trinta anos. É o país corrupto a funcionar. O executivo da CMA ou algum presente me corrija se estou errado.

Abatimento na Zona Industrial Norte

No abatimento da conduta de águas pluviais, na Zona Industrial Norte de Abrantes, a Abrantáqua SA, em resposta a perguntas do BE, informou que a rede predial das instalações da TRM, Lda/S.M.A. Lda. também foi afectada. Pensamos que não restam quaisquer dúvidas quem são os autores deste crime ambiental. Mais uma vez, o executivo da CMA, escondeu das populações a origem e as possíveis consequências, pois em 2012 nada obstou ao Estudo de Impacto Ambiental do referido grupo de empresas, para viabilizar o aumento das linhas de zincagem, onde os poluentes prioritários usados estão lá bem explícitos, a contaminação nos lençois freáticos é reconhecida e a corrosão da rede pluvial, era uma das condicionantes para que o projecto fosse viabilizado. 

Perante estes gravíssimos crimes ambientais, o Bloco de Esquerda, considera que o executivo da CMA e a bancada socialista são os principais responsáveis e, só não existem consequências, porque Portugal é um país dos mais corruptos do mundo. Perderam qualquer legitimidade e credibilidade como interlocutores, nesta área, pelo que nos escusamos de referir a espuma, o baixo nível do caudal, os transvases em Espanha e os problemas da Central Nuclear de Almaraz, tudo no rio Tejo, aquele rio que a Sra Presidente tanto gosta de referir para apresentar projectos turísticos.   O Bloco de Esquerda exige uma profunda reestruturação na área funcional do Ambiente para que, esta Assembleia Municipal, possa garantir à população abrantina e a quem nos visita, que a sua saúde não está em risco e também como forma de honrar o Prémio Tesla, prémio de uma liderança sustentável, que cada vez mais nos parece, uma licenciatura “tirada” ao Domingo.