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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Santana-Maia Leonardo - Diário As Beiras de 21-9-2016

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O mundo romano levantou-se contra a aldeia gaulesa de Chaves pela exorbitância do preço dos bilhetes cobrados aos benfiquistas. Até o presidente da Liga, que não foi capaz de impor a Roma a centralização dos direitos televisivos, instrumento decisivo para a competitividade dos campeonatos e para a honestidade da competição (somos a única liga europeia onde isso não se verifica), e que era a trave-mestra do seu programa eleitoral, veio agora a terreiro escandalizar-se com o preço dos bilhetes.

Pelos vistos, o argumento do Benfica para vender os direitos televisivos pelo preço que lhe apetece e sem disso dar contas a ninguém, já não se aplica a uma simples venda de bilhetes para um jogo pelo Chaves? O que distorce mais a verdade desportiva e coloca verdadeiramente em causa a competitividade do campeonato: a não regulamentação da venda dos direitos televisivos ou do preço dos bilhetes para um jogo de futebol?

Bastaria, aliás, o Presidente da Liga ter cumprido aquilo a que se comprometeu de centralizar os direitos televisivos, condição essencial para a nossa liga ter aquele mínimo de higiene que torna o cheiro suportável, para o Chaves não necessitar de vender bilhetes tão caros.

Sem esquecer que o argumento de que a exorbitância do preço dos bilhetes é a principal causa para os adeptos portugueses não irem ao estádio é, no mínimo, hilariante. E Chaves é um bom exemplo disso: a única vez que vai ter o estádio a abarrotar pelas costuras é quando os bilhetes têm um preço exorbitante, porque, quando são baratos, o estádio está às moscas.

Além disso, já que os benfiquistas, como tanto gostam de se gabar para humilhação de quem os recebe em sua casa, se preparam para transformar o Estádio do Chaves no Estádio da Luz, é justo que a receita também seja igual à do Estádio da Luz.

Tal como Sartre, também eu "detesto as vítimas quando elas respeitam os seus carrascos." E esta subserviência de um país inteiro ao eucalipto em que se transformou Lisboa e que os seus dois clubes tão bem representam, ao ponto de, tal como Lisboa, se acharem que são Portugal (???!!!....), faz-me ter vergonha de ser português.