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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Santana-Maia Leonardo - Sócio do VFC n.º338 de 05-06-1965

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Fiz-me sócio do Vitória no dia 5 de Junho de 1965, com seis anos de idade. Dois anos depois o meu pai faleceu e eu fui viver para casa dos meus avós maternos em Ponte de Sor. Ou seja, fiz-me sócio um mês antes do Vitória conquistar a primeira Taça de Portugal ao Benfica e deixei Setúbal poucos meses depois do Vitória ter conquistado a segunda Taça de Portugal na mais longa e mítica final de sempre frente à Académica.

É, por isso, natural que hoje, sempre que regresso a Setúbal e ao Bonfim, sinta uma tristeza sem fim. E devo mesmo confessar que deposito hoje mais fé nos jogadores profissionais do Vitória e na sua equipa técnica do que no povo de Setúbal, onde apenas um punhado de gente tem a fibra e a raça dos verdadeiros vitorianos.

Olhem bem para as riscas verticais da camisola do Vitória e meditem bem no que elas simbolizam. É muito fácil distinguir um verdadeiro vitoriano de um falso vitoriano. O verdadeiro vitoriano tem a coluna direita, vertical, como as riscas da camisola. A coluna de um vitoriano não dobra perante ninguém. Antes quebrar do que torcer.

Além disso, enquanto as riscas horizontais (umas por cima das outras) pressupõem uma hierarquia, as riscas verticais lado a lado significam, por um lado, que todos os vitorianos são iguais e têm a mesma dignidade, independentemente da sua classe social, profissão, raça ou sexo e, por outro, que não reconhecemos a nenhum clube estatuto superior ao nosso.

Quanto à cor verde do Vitória, o próprio Camões a explica muito melhor do que eu num dos mais belos poemas da lírica portuguesa: Verdes são os campos / Da cor do limão / Assim é o clube do meu coração.”  

Um vitoriano, sublinhe-se, não está obrigado a vencer todos os jogos, mas está obrigado a nunca se dar por vencido em nenhum jogo, seja contra quem for. O objectivo último do vitoriano não é ganhar taças, campeonatos, classificar-se para a Liga Europa ou evitar a descida de divisão. Isso são coisas que vêm por acréscimo, mas não é esse o nosso objectivo. O objectivo do Vitória é apenas um: vencer o próximo jogo seja ele contra quem for. Nada mais importa. É no próximo jogo que concentramos toda a nossa atenção e todas as nossas energias. Por isso, nos chamamos Vitória. Nós somos VITÓRIA contra qualquer equipa e todos os dias do ano. E quanto maior for o nosso adversário, maior é o desafio. É nos obstáculos altos que se vêem os bons cavalos. E, como dizia Cunha Rego, “o importante num salto não é o cavalo e os seus arreios, mas o coração do cavaleiro.E o coração de um vitoriano não lhe faz tremer as pernas por maior que seja o obstáculo.

Quando um jogador assina pelo Vitória, ninguém lhes exige que seja do Vitória desde de pequenino ou que seja do Vitória a vida toda. Apenas exigimos que sejam do Vitória e SÓ DO VITÓRIA enquanto vestirem a nossa camisola. Isto para mim é sagrado. Sempre que um jornalista perguntar a um jogador do Vitória qual o clube do seu coração, um jogador do Vitória só pode responder de duas formas: ou dá-lhe logo um murro nas trombas tendo em conta a gravidade da ofensa; ou responde educadamente que o clube do coração, enquanto vestir a camisola do Vitória, é o Vitória. Ao menos, aprendam a ser verdadeiros profissionais, enquanto vestirem a nossa camisola.

É absolutamente natural que a maior parte dos jogadores do Vitória, em breve, esteja a representar outro clube. Ninguém questiona isso. O que eu vos peço, parafraseando Vinicius de Moraes no seu soneto Fidelidade, não é que o vosso amor pelo Vitória seja imortal, mas que SEJA INFINITO ENQUANTO DURE.

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