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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Santana-Maia Leonardo

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Construir em Coimbra um estádio enorme, que custou os olhos da cara aos conimbricenses e que apenas se enche com conimbricenses uma ou, no máximo, duas vezes por ano para festejaram a derrota do clube da sua terra aos pés dos clubes de Lisboa é uma vergonha. Se Coimbra não tem gente suficiente para apoiar a sua equipa contra os grandes de Lisboa, devia desistir de participar na I Liga, mudar o nome do estádio para Estádio Municipal de Lisboa e pedir à Câmara de Lisboa para o pagar.

O carácter dos homens e dos povos vê-se quando enfrentam aqueles que são mais poderosos e maiores do que eles. É o carácter de David que emerge quando aceita o desafio de Golias e não o carácter de Golias quando aceita enfrentar David. Mas, em Portugal, até os anões e os bobos da corte torcem pelos Golias contra os David...

Ainda recentemente o reitor da Universidade de Coimbra alertava para o facto de, se nada se fizesse, a Universidade correr o risco de perder, em breve, metade da sua população estudantil. Ou seja, a prestigiada Universidade de Coimbra está em risco de sucumbir aos pés da Universidade de Lisboa e Porto, tal como a Briosa aos pés do Benfica, Sporting e Porto e para gáudio da maioria dos conimbricenses. E não vale a pena fingirmos que são coisas diferentes porque o sentimento é precisamente o mesmo. Toda a gente quer ir para Lisboa, seja para a Universidade, seja para o Estádio da Luz ou de Alvalade.

No português está fortemente enraizada a cultura da superioridade de Lisboa sobre o resto do país. Não há português ambicioso que não sonhe abandonar a sua terrinha e ir viver para a corte. Basta ver o orgulho com que dizem, quando vêm à sua terrinha, que trabalham em Lisboa ou que o seu filho trabalha ou estuda em Lisboa, como se isso fosse uma garantia de qualidade e os colocasse num patamar superior. E esse patamar superior tem a expressão futebolística em ser-se do Benfica ou do Sporting de Lisboa. Se alguém disser que é do Vitória ou da Académica, o português comum desdenha logo e nem quer acreditar...

Que os alentejanos, pela desertificação, e os ribatejanos, pela proximidade, torçam pelo Benfica ou pelo Sporting compreende-se perfeitamente. O Ribatejo está transformado num dormitório de Lisboa e o Alentejo já não tem gente sequer para fazer uma equipa de futsal, quanto mais de futebol de 11.

Mas a Madeira, o Algarve, Coimbra, Setúbal e Braga ainda têm gente suficiente para enfrentar Lisboa e o futebol é hoje um palco decisivo nesse combate, quer pela sua visibilidade, quer pela sua capacidade de unir e mobilizar as populações. É assim em toda a Europa, excepto em Portugal, onde os pequenos anões que povoam o nosso território, em vez de unirem esforços na defesa dos interesses da sua região, consomem as suas energias em pequenas brigas de vizinhança e só encontram verdadeiro consolo no regaço dos grandes e do poder de Lisboa.

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