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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Santana-Maia Leonardo 

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É preciso de facto muita hipocrisia e muito cinismo para os nossos governantes e as nossas elites apresentarem o túnel do Marão como um passo decisivo na coesão territorial. O túnel do Marão, tal como a rede de auto-estradas, só seria um factor de coesão territorial se o país estivesse nivelado. Isto é claro como a água. E, se tiverem dúvidas, façam a seguinte experiência. Coloquem dois recipientes, um com água e outro vazio, no mesmo plano e façam o túnel do Marão entre eles. O que é que acontece? O que tem água esvazia para o recipiente que não tem água até ficarem ambos com a mesma quantidade de água.

Agora experimentem colocar o recipiente com água num nível superior e voltem a fazer o túnel do Marão. O que é que acontece ao recipiente que tem água? Acontece precisamente o que vai acontecer a Trás-os-Montes: fica completamente vazio.

Quem olhar para Portugal não pode deixar de saber que vivemos num plano inclinadíssimo em direcção à cidade Lisboa-Porto (a tal Singapura de Passos Coelho e Sócrates) e, sem medidas urgentes e corajosas, para nivelar o território, o túnel do Marão e as auto-estradas apenas vão acelerar o processo de esvaziamento do interior. E não nos iludamos, só existe, neste momento, uma forma de repovoar o território: através da deslocalização de serviços e de órgãos de direcção do Estado para o interior do país.

E não vale a pena voltar a ressuscitar as fantasias de Natal de querer repovoar o interior dando incentivos às empresas para aí se fixarem. Neste momento, o interior só tem reformados e desempregados pouco qualificados e não há nenhuma empresa com dimensão (a não ser as empresas altamente poluentes) que se queira fixar num sítio onde não existe mão de obra em quantidade e qualidade suficientes.

Ou seja, ou é o Estado, através da deslocalização de serviços e órgãos de direcção do Estado, a levar gente para o interior do território ou, em breve, não mora lá ninguém.