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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Artur Lalanda

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A propósito da notícia publicada no Jornal NOVA ALIANÇA, de 9 do corrente mês de Janeiro, sob o título “Abrantáqua intervém na Etar dos Carochos” creio que, para “contribuir para a formação de uma opinião pública esclarecida e crítica”, como pretende o jornal, seria útil não aceitar que nos vendam gato por lebre.

Em 2007, quando já existia a actual Etar dos Carochos, nunca aceite pela Câmara Municipal de Abrantes por deficiências técnicas, a coberto de um concurso internacional para concessão das águas residuais do concelho, em que o concorrente ganhador foi escolhido antecipadamente, (o contrato foi assinado em 2007, para ter efeitos a partir do início de 2008, mas começou a ser implementado em 2006, pela Abrantáqua (antes designada por Aquália) - do Grupo Lena,- como demonstram os documentos constantes do processo de concessão).

Nesse contrato, a que foi atribuido o valor de 37 750 587,00 euros, todas as obras previstas deviam estar concluidas em 31 de Dezembro de 2010  (2006/2010).

A partir de Janeiro de 2008 e até ao fim de 2013, a concessionária, que sistemáticamente desrespeitou as cláusulas a que se tinha obrigado, beneficiou de verbas consignadas através dos recibos da água, que totalizaram 10 000 772,31 euros e, no mesmo período, investiu, apenas, 8 084 061,67 euros. Contrariando o mobil do contrato, nunca investiu capital próprio. Cobrou primeiro e gastou depois, a seu belo prazer.

Mas situemo-nos, apenas, na Etar dos Carochos.

A NOVA ETAR era uma obra que, com carácter obrigatório, devia ter ficado concluida em 2008 com o custo de 752 310,00 euros.

Em 2009, como os esgotos continuavam a entrar do Tejo sem qualquer tratamento, a então vereadora do pelouro, hoje presidente da Câmara, veio a público anunciar a imediata instalação de uma etar compacta para remediar o problema. Nada foi feito.

Em 2012, o contrato foi renegociado e a NOVA ETAR, agora orçada em 1 766 952,00 euros (valor conhecido dois anos antes da elaboração do respectivo projecto) devia estar concluida em 2014, data em que foi elaborado o projecto.

Nos termos da renegociação, “optou-se por ampliar a capacidade da Etar dos Carochos dos 2 500 habitantes equivalentes para 10 000, permitindo melhor servir toda a encosta sul que vai do casco histórico ao Bairro do Casal da Preta e, assim, conter o aumento de caudal de efluentes que chegam à Fonte Quente”

Em 2015, decorridos mais dois anos de consignação de verbas à concessionária por intermédio dos recibos da água, ( estima-se, na ordem dos dois milhões de euros) vem a Abrantáqua, pasme-se, por notícia veiculada pelos Serviços Municipalizados, informar que estava a intervir na Etar dos Carochos “por forma a obter níveis de tratamento de acordo com a legislação em vigor e que está concluido o projecto para construção de uma nova estação de tratamento de águas residuais” que irá servir 10 000 habitantes.

Para compor o ramalhete, “ a Abrantáqua informa, ainda, que, posteriormente, serão conhecidos os resultados dos relatórios de ensaios demonstrativos da qualidade do efluente tratado”

A intervenção anunciada limitou-se a “lavar a cara” à etar rejeitada por falta de condições técnicas e cercá-la com rede, não vá algum curioso lembrar-se de recolher amostra para confrontar os resultados da análise, com os que serão anunciados pela concessionária.

Que as autoridades municipais aceitem a "refeição" que lhes é servida pela concessionária, não nos surpreende, mas os munícipes do concelho precisam conhecer a verdade e não se deixarem intoxicar por notícias tendenciosas.

Com a população do concelho reduzida a 37 895 habitantes, (2013) nunca a etar dos Carochos terá 10 000 para a utilizarem, donde se conclui que a NOVA ETAR nunca será construida. A concessionária não investiu os 1 766 952,00 euros e ainda arrecadou mais cerca de 2 milhões de euros (verba estimada) nos últimos dois anos.

Parabéns à administração da Abrantáqua, pelo excelente desempenho. Aos autarcas responsáveis pela exploração dos munícipes deixo um convite : venham a público contestar as afirmações aqui produzidas.