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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

José Pacheco Pereira - Público de 30-5-2015

Em que é que assentou o "ajustamento" nestes últimos anos?

Em aumentos brutais de impostos. Sem isso, o “ajustamento” cai por terra de um dia para o outro. O aumento brutal de impostos foi uma medida de facilidade e de desespero, que acabou envolta na ideologia do “viver acima das suas posses”. Como em quase tudo que aconteceu nos últimos anos, há uma componente utilitária — a maneira mais fácil e com mais resultados a curto prazo para controlar o défice era aumentar “imenso” o IRS penalizando os rendimentos do trabalho —, e depois os ideólogos e propagandistas encontraram uma racionalização ideológica que foi a de, pela via dos impostos, se ir buscar à classe média “artificial” e que vivia “encostada” ao Estado, o que fosse preciso para a “ajustar” ao estado do limiar da pobreza que era aquele que a “economia” suportava. Era uma parte de uma estratégia de “empobrecimento”, que é o que era o “ajustamento”. (...)

Podia-se cumprir o memorando de forma muito diferente da que foi feita?

Podia. Desde o primeiro minuto que havia propostas alternativas para o seu cumprimento, que implicavam um tempo diferente de aplicação de medidas de austeridade, e uma diferente distribuição do ónus destas medidas. Vieram de gente próxima do PSD, que concordava com o “ajustamento”, mas que estava mais atenta aos efeitos da sua aplicação incompetente e “infinita”, logo desprovida de legitimação democrática a prazo. Foi o caso de Miguel Cadilhe, mas não só. Foram afastados liminarmente e, depois da incompetência e ignorância do país dos primeiros meses, da “surpresa” do desemprego, e da perda de controlo das finanças em 2011-2, o caminho da facilidade era o aumento dos impostos e a brutalidade no “ajustamento”. A ideologia pintou este cenário, com os “piegas”, a “austeridade expansionista”, o “empreendedorismo”, a “justiça geracional” e outras máscaras, que têm um papel e que não é pequeno, mas a coisa foi mais atabalhoada do que programada. (...)

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