Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

TERRA-DE-NINGUEM_-_Capa_large.jpgD. Nuno era filho do Prior do Crato. Ainda hoje há quem discuta se nasceu em Flor da Rosa, no Crato, ou em Cernache do Bonjardim, como se o local do nascimento fosse relevante para um alentejano. Para se ser alfacinha, é que é necessário nascer em Lisboa. Agora, um alentejano nasce num sítio qualquer. Que D. Nuno era alentejano é uma evidência, não só pela cepa de que era feito como até pela táctica militar utilizada. E é bom não esquecer que foi como fronteiro do Alentejo que D. Nuno, na batalha de Atoleiros, demonstrou ao mestre de Avis (outro alentejano) que, para ganhar aos castelhanos, bastava meia-dúzia de alentejanos, liderados por um alentejano e com uma táctica alentejana.

E foi, por isso, que o mestre de Avis e D. Nuno, quando partiram de Lisboa para Aljubarrota, deram a volta pelo Alentejo, porque já sabiam que, na hora da verdade, não podiam contar com os alfacinhas. Quando dessem de caras com milhares de cavalos a investir contra eles, davam todos de frosques... Em todo o caso, os alfacinhas tiveram um papel decisivo que não podemos escamotear, já que foram eles que carregaram com os alentejanos até ao campo de batalha.

E até se conta que, à saída de Lisboa, estranhando a volta pelo Alentejo, o ministro Mário Lino terá dito ao Mestre de Avis: "Ó Mestre, olhe que aí não mora ninguém!", ao que o mestre de Avis respondeu: "são poucos mas bons".

Chegados a Aljubarrota, D. Nuno aplicou a mesma táctica da batalha de Atoleiros. Mandou sentar os alentejanos em forma de mesa e disse-lhes: "Fiquem aí e não se mexam!" E os alentejanos aproveitaram logo para bater uma sesta pela força do calor e embalados pelo tropel da cavalaria inimiga que investia a todo o galope sobre o indolente quadrado alentejano.

E foi precisamente quando a primeira leva de cavaleiros se preparava para atropelar a vanguarda alentejana que se ouviu a voz de comando de D. Nuno: "Levantem as lanças!"

Os alentejanos levantaram as lanças e foi um desastre. Um desastre para os castelhanos, bem entendido. Ou melhor, para os castelhanos, para os franceses e para os portugueses, porque é bom não esquecer que, já naquele tempo, a maioria dos portugueses olhava sempre para a grandeza dos clubes em confronto antes de tomar partido. Só que desta vez fizeram mal as contas. Esqueceram-se que um exército de trinta mil castelhanos, franceses e portugueses é demasiado pequeno para derrotar meia-dúzia de alentejanos. Azar o deles!

Ponte de Sor, 13 de Dezembro de 2014