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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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02 Mai, 2015

Degradação

Vasco Pulido Valente - Público de 1-5-2015

Tacticamente tudo se percebe. Do ponto de vista da baixa táctica política até a coisa parece habilidosa.

Desde 2011 que nenhuma sondagem dá maioria absoluta ao Partido Socialista. Donde se segue que para aguentar um governo minoritário – principalmente um que se pretende reformista – é preciso um Presidente cúmplice, muito mais cúmplice do que foi Cavaco com o CDS e o PSD. Mas para ser elegível esse Presidente não pode ter a mais leve animosidade do PC, do Bloco e da poeira dos pequenos grupos da extrema-esquerda. Ora, como ao fim de 40 anos não há gente dessa, a franja radical do PS acabou por inventar uma não-pessoa, um saco vazio onde venha donde vier qualquer militante ou simples simpatizante não se importará de meter o seu voto: no caso o sr. Sampaio da Nóvoa.

Meia dúzia de homens de músculo político agarraram na criatura e resolveram enfiar a dita sem grande cerimónia pela goela aberta de um povo miserável e de uma “classe dirigente” sem destino ou vergonha. Claro que os socialistas nunca na vida mostraram o menor escrúpulo em organizar esta espécie de operação. Basta lembrar que o dr. António Costa tomou o partido de assalto com uma grande dose de brutalidade e demagogia, perante a equanimidade e o deleite dos seus queridíssimos camaradas. Agora, a ideia é fazer o mesmo com o país: a tradição ajuda. Soares como Sampaio estão ali para o trabalho sujo. Sampaio com o vácuo de uma cabeça onde nunca entrou nada; Soares com ar rusé, que de quem continua a puxar os fios da intriga. E Manuel Alegre com a sua insofrível jactância e pretensão moral.

O candidato, esse, não conta. Cita Sophia de Mello Breyner, “Zeca” Afonso e Sérgio Godinho, e com esta mistura de um lirismo torpe faz declarações sem propósito ou consequência. Promete (imaginem só) não se “resignar” à “destruição do Estado Social”, à pobreza, ao desemprego, à “exclusão” ou à mais leve força que “ponha em causa a dignidade humana”. Como tenciona fazer isto, não confessa. Promete “agir” com “integridade e honradez”, coisa que deve tranquilizar a populaça já com muito pouco para espremer. E promete, para nossa perplexidade e espanto, não assistir “impávido” à “degradação da nossa vida pública”. Não percebe ele que a sua própria candidatura, fabricada por meia dúzia de maiorais do PS, à revelia dos portugueses (que nem o conhecem), é o mais grave e humilhante sinal da “degradação da nossa vida pública”?

3 comentários

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    Rexistir 03.05.2015

    NG

    Não. O que é uma enorme degradação e uma enorme hipocrisia é uma pessoa que é candidato de um partido e que negociou o seu apoio querer passar por um candidato independente que avança sem ter negociado qualquer apoio partidário. Isto é uma enorme hipocrisia bem característica dos nossos políticos no activo mas que não se compagina com quem quer vir inaugurar um novo estilo. Se tem lido o que eu escrevo sabe que nunca considerei o cartão partidário um anátema. A independência não tem nada a ver com partidos. Uma pessoa pode ser militante de um partido e ser independente, no sentido de não se sentir inibido a poder dizer o que pensa (ex: Pacheco Pereira, Henrique Neto, etc.), e pode ser independente e estar de mãos atadas por forças de compromissos e dependências de ordem política ou económica. Mas pior do que não ser independente é ser hipócrita... E se bem que os portugueses adorem os hipócritas, eu detesto-os. Em todo o caso, eu sou um não eleitor. Enquanto Portugal a leste da A1 não voltar a ter verdadeira representatividade política, eu considero-me inibido de votar.

    Santana Maia
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    NG 03.05.2015

    Santana Maia,
    Já eu vejo ao contrário. O que raio faz Pacheco Pereira no PSD ou Henrique Neto no PS se as suas contribuições vão no sentido exactamente oposto às orientações das direcções dos partidos de que são militantes? Isso, sim, desvirtua a democracia. Pessoas que se identificam com as suas propostas, como às vezes até é o meu caso, ficam sem ter em quem votar. E preso por ter cão e preso por não ter. Até agora,as críticas mais ferozes à candidatura de Sampaio da Nóvoa até tinham sido de militantes "históricos" do PS que não viam nele suficiente pedigree partidário. É muito difícil agradar a tanta gente diferente. O que conta é o voto. Quem se chega à frente, com apoios partidários ou sem eles, merece o nosso aplauso, seja de que quadrante fôr.
    Nuno Gaspar
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