Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

1.jpg

Neste século, FC Barcelona e Real Madrid procederam a duas alterações estatutárias relevantes e que definem bem o ADN de cada clube: (a) nos estatutos do Barça, foi introduzida a limitação de mandatos (dois mandatos, no máximo), impedindo, desta forma, a perpetuação dos presidentes nos cargos e reforçando a democracia interna e a transparência; (b) no Real Madrid, por sua vez, Florentino Peres, como vista à sua perpetuação no poder, introduziu a condição de "20 anos de antiguidade como sócio" que, aliada à obrigatoriedade de dar o aval a 15 por cento do orçamento das despesas do clube, torna praticamente impossível o aparecimento de outros candidatos.

Ou seja, enquanto o FC Barcelona optou por reforçar a componente democrática, o Real Madrid optou por reforçar a componente caudilhista. A eterna luta entre a Democracia e a Ditadura.

Como toda a gente sabe e quase todos defendem (menos eu e pouco mais), o modelo caudilhista do Real Madrid é o modelo seguido pelos clubes portugueses, com uma ligeira diferença: para se ser presidente do Real Madrid e do Barça têm de se ter músculo económico para dar o aval a 15% do orçamento do clube, o que significa a obrigatoriedade de depositarem cerca de 150 milhões de euros na Liga no início do mandato.

Ora, em Portugal, os candidatos a presidente dos "grandes" clubes não só não têm músculo económico para "mandar cantar um cego", tanto assim que os "cegos" dos seus devotos cantam por devoção e ainda são obrigados a pagar o dízimo, como chegam aos clubes "pele e osso", "tesos que nem um carapau" e com "uma mão à frente e outra atrás", na esperança que o clube lhes mate a fome e avalize e pague as colossais dívidas pessoais e das suas empresas.

No entanto, é bom não esquecer que foi precisamente o FC Barcelona da limitação dos mandatos que destronou o Real Madrid ultra-caudilhista. Com efeito, o Barça, que chegou a estar 19 anos sem vencer o campeonato, é, hoje, o clube com mais títulos deste século e com tendência para aumentar, o que significa que a perpetuação dos presidentes no poder, como é defendido pela esmagadora maioria cá do burgo, está longe de ser uma garantia de sucesso. A não ser para a carteira dos famintos presidentes, como é óbvio...

E como diz o bom povo português, "não há fome que não dê em fartura". No entanto, seria bom que os presidentes dos "grandes" de Lisboa e Porto deixassem de se empanturrar e de falar que nem uns alarves e se preocupassem-se mais um bocadinho com a sua saúde e dos seus clubes. Ou, não tarda nada, ainda vai tudo preso...

Santana-Maia Leonardo