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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Artur Lalanda

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Com o mesmo título, evidenciei, há dias, a minha profunda revolta pelo facto de um cidadão natural e residente na cidade de Abrantes, ter sido enterrado no cemitério de Alferrarede, por falta de vaga nos dois cemitério da cidade.

Conhecia, e era amigo do Álvaro Ferrão, há muitos anos, pelo que ficaria mal com a minha consciência se não denunciasse, publicamente, repito, a inadmissível e vergonhosa negligência dos autarcas da cidade.

Não conheço, pessoalmente, a Senhora Dona Filomena Ferrão Nunes, filha do Capitão Ferrão, que, agora, fez chegar ao meu conhecimento pormenores que eu desconhecia: “Estive juntamente com familiares a bater a portas, a fazer telefonemas durante a tarde de sábado e prolongou-se até à madrugada de domingo a tentar uma solução, inclusive uma boa abrantina cedia a campa onde estava um ente querido, pois já podia abrir a campa. Ligamos para o Ministério Público e nada nos foi autorizado”.

Mas que gente é esta? Então a dona de uma campa autorizava que o corpo do defunto fosse enterrado em propriedade sua, no cemitério dos Cabacinhos e ninguém autorizou? E as duas vagas que existem no cemitério de Santa Catarina, estão reservadas para quem? Para os amigos ou para os inimigos?

Não foi o primeiro caso e, por certo, não será o último, uma vez que em Santa Catarina não se multiplicam as vagas de um dia para o outro, tanto mais que um despacho do vereador do pelouro  que ia no sentido de exumar corpos para liberar “módulos”, deduzo ter sido abandonado quando abriram o primeiro (certamente o mais antigo) e voltaram a tapá-lo.

Que medidas alternativas foram tomadas? É o “deixa andar”?

Se os mortos não lhes merecem respeito, os vivos têm obrigação de os acusar, enxovalhar, insultar e escorraçar. Esta gente não presta.

A cidade, antes florida, acaba de escrever, por intermédio dos actuais autarcas, uma página que perpetuará negra, na memória dos abrantinos.