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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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O futebol é o espelho de um país.

Como é do conhecimento público, Portugal é o país mais centralista da Europa, o país com menor mobilidade social (ou seja, o país onde quem nasce pobre tem menos hipóteses de deixar de ser pobre) e o único país que concentra, na sua capital, todas as sedes de ministérios, direcções-gerais, estados-maiores, supremos tribunais, bancos, órgãos de comunicação social, etc. etc.

Ora, comparar a liga inglesa com a liga portuguesa é o mesmo que comparar as democracias liberais do mundo ocidental com as democracias populares dos países comunistas. Nas economias de mercado, existem empresas grandes, médias e pequenas que concorrem entre si, concorrência essa que é garantida por reguladores que têm a obrigação de impedir, quer a criação de monopólios, quer de empresas em posição dominante, uma vez que isso desvirtua a livre concorrência e o mercado livre. Por sua vez, nas democracias populares, os monopólios de Estado controlam o mercado e impedem a existência de empresas concorrentes que possam prosperar e crescer, vivendo estas na sua inteira dependência.

A liga inglesa, tal como todas as ligas europeias, segue as regras das economias de mercado, obrigando, designadamente, os clubes à repartição dos direitos televisivos e à limitação da inscrição de jogadores por clube, o que permite transformar clubes mais pequenos e com menos meios em clubes poderosos e com grande capacidade competitiva, o que torna não só mais atractiva a competição como potencia e gera cada vez mais receitas.

Em Portugal, pelo contrário, há três clubes que se apropriam da totalidade das receitas, dos jogadores, dos adeptos, dos dirigentes, dos jornalistas, dos árbitros e que, inclusive, repartem entre si os detentores do poder político, administrativo e judicial... Consequentemente, o resultado é o mesmo das economias comunistas: os grandes clubes são clubes de Estado e suportados pelo Estado, o futebol produzido é de fraca qualidade e ninguém no mundo está interessado em comprar o futebol que aqui se produz. 

Santana-Maia Leonardo