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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

José Manuel Fernandes - Observador de 8-1-2014

O título desta crónica não é muito original – mas é o que me apetece escrever. É mesmo o que devo escrever. Não porque aprecie especialmente o Charlie Hebdo. Na verdade, nunca gostei muito da publicação, cujo humor roça por vezes a boçalidade e onde se chegava a desenhar com um sentido pornográfico não muito diferente do nosso desaparecido José Vilhena. Mas isso não interessa. O que interessa é que as balas hoje disparadas na redacção do Charlie Hebdo foram balas disparadas contra todos os jornalistas, contra todos os que defendem a liberdade de expressão, contra todos os que apenas desejam viver numa sociedade aberta, tolerante e plural.

A tragédia não é só do Charlie Hebdo, nem só dos parisienses ou dos franceses. É do jornalismo mundial. É de todos os homens livres. (...)

As manifestações de intolerância dos radicais islâmicos, que numa altura de sobressalto todos condenamos, não podem levar-nos, passada a indignação, a tratar de encontrar explicações, desculpas ou remédios. Temos de poder ser livres de nos pronunciar sobre a religião islâmica com o mesmo grau de liberdade com que nos pronunciamos sobre outras religiões. Quem escreve tem de poder escrever com liberdade, não pode andar escondido, como Salman Rushdie andou anos a fio depois de ter sido alvo de uma fatwa. (...)

Tenhamos pois coragem. Esta é uma linha da frente da batalha pela civilização que somos. Porventura a mais importante de todas as linhas de batalha. Se não formos capazes de defender, até às últimas consequências, a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa, então ficaremos mais perto da França apática (e islamizada) imaginada por Houellebecq. Até porque há ficções que às vezes são mais reais do que a realidade.

Honremos as palavras de Stéphane Charbonnier, aliás Charb, desenhador e director do Charlie Hebdo, hoje assassinado: “Prefiro morrer de pé do que viver de joelhos”.