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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

João Miguel Tavares - Público de 23-12-2014

(...) Eu acho que o confronto político é essencial nas sociedades democráticas. Só que isto não é confronto nenhum – isto é pura salganhada ideológica.

Salganhada 1: ser liberal não tem nada que ver com aquilo a que agora se chamam “as políticas ultraliberais”, mera caricatura de um capitalismo selvagem que ninguém com dois dedos de testa pode defender. Não existe defesa da propriedade privada ou do mercado livre – pedras angulares de qualquer liberalismo – sem a presença de um Estado eficaz e regulador.

Salganhada 2: ser liberal não significa a diminuição da autoridade do Estado, mas sim a diminuição do peso do Estado na economia, que são coisas completamente diferentes. (...)

Salganhada 3: a desregulamentação nos mercados anglo-saxónicos é um problema gravíssimo, que deve ser enfrentado, mas não foi a causa directa do afundamento de Portugal. Só um doido pode achar que os principais problemas de economia portuguesa são semelhantes aos da economia inglesa ou americana.

Os ataques lusitanos à ideologia liberal utilizam invariavelmente a seguinte táctica: primeiro chamam vaca a um porco, e depois acusam-no de não dar leite. Assim é fácil. Só que, sendo fácil, não é sério, tal como não pode ser séria a saída do armário de Carlos Abreu Amorim. Se ele fosse membro do Tea Party, poderia certamente argumentar que a desregulamentação assolapada dos mercados e o regresso dos bónus chorudos a Wall Street o tinham feito repensar a sua ideologia, e que por isso concluíra que o Estado precisava de ser mais forte. Impecável pensamento made in USA. Mas em Portugal? Não gozem connosco. Em Portugal não existe Estado forte e economia fraca, nem Estado fraco e economia forte, pela simples razão de que uma coisa não se distingue da outra desde 1143. Nesse sentido, ainda vivemos num mundo pré-ideológico. Enquanto não se nacionalizar o Estado e privatizar a economia, Carlos Abreu Amorim continuará a sair de um armário que não existe.