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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Editorial do Público de 16-2-2015

(...) A multiplicação de actos terroristas é directamente proporcional à sensação de perigo iminente e às informações quase diárias de que foi abortado um atentado aqui ou desmantelada uma rede terrorista ali. O que torna cada vez mais claro quer o aumento exponencial do recrutamento, quer a facilidade com que se desencadeiam novas acções, as quais, como se tem visto ultimamente na Europa, são perpetradas apenas por um ou dois elementos.

Estes “lobos solitários” são muito mais difíceis de detectar e de controlar. Nascem justamente para fugir à sofisticação dos meios de vigilância de que as autoridades dispõem e têm menos capacidade para organizar acções de grande impacto como o 11 de Setembro ou os atentados em Londres, que exigem meios e logística complicada. Mas, em contrapartida, têm a possibilidade de multiplicar investidas e espalhar a sensação de terror e insegurança. Há ainda um outro problema acrescido: as células unitárias conseguem mais facilmente iludir as suas ligações dentro da rede terrorista, dificultando o trabalho de investigação policial. (...)

A resposta dos estados a esta escalada de terror e violência é clássica. Mais dinheiro e mais meios, diminuição de liberdades e garantias dos cidadãos, alianças espúrias com governos indiferentes ao respeito pelos direitos humanos mais básicos. Aqui ao lado, em Espanha, já foi instituída a prisão perpétua; na Europa, há quem advogue o regresso da pena de morte e por todo o lado crescem ameaças ao acordo de Shengen. A militarização do quotidiano é um facto e a monitorização do dia-a-dia dos cidadãos, uma realidade. Mas o big brother não está a resultar e tem de se perceber porquê antes de sufocarmos, de vez, a democracia.