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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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04 Dez, 2020

O Entrevadinho

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Nos anos 90, durante segundo mandato de Cavaco Silva, tornou-se evidente que Portugal não só não seguia no rumo certo como seguia a caminho do abismo. Por sua vez, Guterres, na sua alegre inconsciência, decidiu manter o rumo até que, ao avistar o abismo, não esteve com meias medidas: saltou do veículo em andamento e foi pregar para outras paragens.  

Durão Barroso, armado em salvador de Pátria, agarrou no volante com a perfeita consciência da necessidade de Portugal mudar de rumo. Só que, pressionado pela santa ignorância dos passageiros, não teve coragem para o fazer e optou por seguir o bom exemplo de Guterres, dando à sola e entregando o volante a Santana Lopes.

Santana Lopes não teve sequer tempo de aquecer o lugar, porque o co-piloto Sampaio, auxiliado pelo artigo da Má Moeda de Cavaco Silva, decidiu entregar os comandos do país à Boa Moeda: Sócrates (cara) e Cavaco Silva (coroa).

Quando Sócrates se apanhou com Cavaco Silva no lugar do pendura, resolveu, em convergência estratégica com o seu co-piloto, carregar no acelerador a fundo em direcção ao abismo.

A partir de 2009, tornou-se evidente que só uma intervenção externa podia impedir Portugal de se despenhar no abismo. E, felizmente, a intervenção externa aconteceu com a vinda da troika e a assinatura do memorando pelo PS, PSD e CDS.

Acontece que o governo de Passos Coelho, em vez de se ter empenhado em cumprir o memorando, decidiu manter Portugal no mesmo rumo, enganando a troika relativamente ao caos existente no nosso sistema bancário e passando a trocar as medidas do memorando por propostas copiadas dos PEC de Sócrates, aumentando os impostos, cortando pensões e rendimentos e fechando tribunais, centros de saúde, escolas, correios, finanças, etc. no interior do país.

Quando um carro segue em direcção ao abismo ainda há uma réstia de esperança de que o condutor consiga mudar de direcção ou accionar os travões. Depois de cair no abismo, já não adianta pôr o pé no travão ou rodar o volante para a direita ou para a esquerda.

Ora, com a concentração de população e votos na Região de Lisboa, tornou-se impossível a qualquer Governo, seja ele qual for, reverter a situação e nivelar o país. E com o número esmagador de dependentes do Estado (funcionários públicos, pensionistas, beneficiários do RSI, etc), aliada à organização tentacular do nosso sistema político assente no municipalismo, é impossível a qualquer Governo criar condições para a existência de uma sociedade civil e de um tecido empresarial minimamente livre, independente e próspero.

Não vale a pena fantasiar soluções, porque, para as implementar, é necessário ganhar as eleições e a esmagadora maioria dos eleitores não quer ouvir falar sequer em tocar nos seus direitos adquiridos. E o que não tem remédio remediado está.

Portugal já caiu no abismo pelo que está condenado a viver, às portas da Europa, como os entrevadinhos, das esmolas dos alemães.

Santana-Maia Leonardo