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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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24 Mai, 2017

O Estádio do Jamor

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Pertenço a uma geração que se habituou a identificar a festa da Taça de Portugal com o Estádio do Jamor. No entanto, não sejamos hipócritas: este estádio já não reúne as mínimas condições, quer de segurança, quer de comodidade, quer de dignidade, para receber um jogo de futebol profissional. Além disso, não reúne sequer as condições para uma boa utilização das novas tecnologias, seja o vídeo-árbitro, seja o olho de falcão.

E não vale a pena puxar do argumento cínico do Estádio de Wembley quando o Estádio do Jamor foi deixado fora do Euro 2004, sem que ninguém estranhasse ou se opusesse. Se queriam que o Jamor fosse o nosso Wembley, o Estádio do Jamor teria de ter sido obrigatoriamente incluído nos estádios do Euro 2004 e seria neste estádio que se tinha realizado a cerimónia de abertura e a final do Europeu e seria neste estádio que passariam a jogar as nossas selecções e se disputariam todas as finais das provas nacionais: Taça de Portugal, Taça da Liga, Supertaça, etc...

"Não se pode querer ter chuva na horta e sol à porta". As coisas são o que são e, ao se ter optado por sacrificar o Estádio do Jamor, aquando da candidatura ao Euro 2004, não se pode deixar de extrair daí todas as consequências, tanto mais que o país esturrou uma fortuna em três estádios de última geração a que urge dar utilidade, mais que não seja por respeito aos contribuintes: Algarve, Leiria e Aveiro. Deve, pois, um deles ser transformado no nosso Estádio de Wembley, já que os portugueses têm tanto fetiche pelo estádio inglês. E sempre era uma forma de promover a tão propalada e sempre adiada descentralização.

Santana-Maia Leonardo - Diário As Beiras de 27-4-2017